Diplomata lembrou ter já solicitado aos "colegas académicos" e diplomatas a criação em Portugal, de um novo fórum intitulado "Diálogo entre Inimigos", na procura de uma "paz universal".
O embaixador do Irão em Lisboa, Majid Tafreshi, condenou "institucionalização de uma nova política", concretizada com o instrumento do "uso indevido da força", aludindo aos Estados Unidos e a Israel.
Numa entrevista à agência Lusa Tafreshi advertiu que este processo irá "alastrar-se" se os países, sobretudo os ocidentais, "não tomarem medidas sérias" contra os Estados Unidos e Israel, "que têm incitado à agitação pública".
"Não há garantias de que tais práticas não venham a repetir-se, sobretudo quando já se ouvem discussões inquietantes, como as relativas à posse da Gronelândia", destacou Tafreshi, lembrando a atuação norte-americana na Venezuela, e as insinuações contra a Colômbia e Cuba.
A entrevista decorreu antes de o diplomata ser chamado pelo Governo português por causa da repressão violenta de manifestações contra o Governo iraniano, anúncio feito esta terça-feira pelo ministério dos Negócios Estrangeiros.
O diplomata iraniano lembrou ter já solicitado aos "colegas académicos" e diplomatas a criação em Portugal, de um novo fórum intitulado "Diálogo entre Inimigos", na procura de uma "paz universal e de um mundo livre de guerra e de tensão", bem como a criação de novos mecanismos -- como uma União da Ásia Oriental -- "poderia constituir uma iniciativa com significado".
"Acredito que a política e os políticos deveriam seguir mais de perto a vontade dos seus próprios povos, que, na realidade, não parecem ter grandes conflitos entre si -- como se observa claramente no turismo, nos estádios de futebol, nos concertos e em centenas de outras interações humanas", argumentou o diplomara iraniano.
Sobre os recentes desenvolvimentos no Irão, em que, disse, manifestações pacíficas centradas em desafios económicos, com o passar do tempo, "alguns elementos presentes nessas concentrações escalaram para incidentes violentos", incluindo ações armadas que, segundo relatos, "envolveram indivíduos com treino prévio".
"Lamentavelmente, estes acontecimentos resultaram em vítimas entre agentes das forças de segurança, forças de ordem pública e cidadãos comuns", afirmou Tafreshi, depois de o alto-comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, ter condenado e exigido o fim da "repressão dos protestos no Irão, que resultaram em mais de 600 mortos desde 28 de dezembro, segundo uma organização não governamental.
O embaixador do Irão em Lisboa referiu os "milhões de cidadãos iranianos" que participaram segunda-feira em manifestações públicas, "refletindo uma mudança no quadro geral e expressando apoio ao seu país islâmico", o que, tal como no passado, a notícia tem uma atenção limitada dos meios de comunicação social ocidentais.
Questionado sobre o que está a estrangular a economia iraniana, Tafreshi destaca a intervenções de Israel, "em menor grau", e os Estados Unidos, "que têm incentivado a agitação pública", bem como os desafios económicos do Irão que são significativamente influenciados por sanções extensas impostas" por Washington.
"Estas medidas, que o Irão considera ilegais, têm também sido apoiadas por países europeus que defendem os direitos humanos, apesar de existirem preocupações de que tais políticas tenham afetado negativamente direitos fundamentais da população iraniana, incluindo o acesso a cuidados de saúde", denunciou.
"O respeito pela Carta das Nações Unidas, as amargas lições da Primeira e da Segunda Guerras Mundiais e as experiências devastadoras e os custos dos acontecimentos no Afeganistão, na Síria, na Palestina, no Líbano, na Líbia, no Iraque, na Ucrânia e noutros locais deveriam ser suficientes para nos recordar a necessidade urgente de priorizar, mais do que nunca, a coexistência pacífica", acrescentou.
Sobre o elevado número de vítimas mortais, Tafreshi negou que a segurança iraniana esteja a utilizar o uso desproporcional da força, exemplificando, a par do elevado número de mortes entre civis, com o número significativo de mortos e feridos de polícias".
Questionado sobre as palavras de Reza Pahlavi - filho do antigo xá Mohammad Reza Pahlavi, deposto após a Revolução Islâmica de 1979 - em que afirmou que tenciona regressar em breve ao Irão, Tafreshi considerou que, com o "apoio de alguns meios de comunicação social ocidentais e sionistas", parece estar a tentar desempenhar o papel de um "Robin dos Bosques".
"No entanto, Robin dos Bosques nunca apelou às pessoas comuns para recorrerem à violência ou violarem normas e princípios internacionais, como o ataque a embaixadas e instalações diplomáticas. Durante o reinado do seu pai, apesar de o Irão contar com o apoio dos Estados Unidos e do Ocidente, o país perdeu a sua 14.ª província, o Bahrein. Com base na experiência, os Estados Unidos apoiam e exploram qualquer pessoa capaz de prejudicar a independência e a segurança do Irão", respondeu.
Tafreshi negou, por outro lado, que o regime -- "o termo "regime é uma expressão ilegítima e enviesada" -- esteja em risco, destacando novamente "os milhões" de iranianos que se manifestaram segunda-feira em favor da soberania do Irão.
"A República Islâmica pertence ao povo do Irão. O ayatollah [Ali] Khamenei é o líder do Irão e um desses cidadãos", sublinhou o diplomata, para quem a China e a Rússia mantêm "boas relações" com Teerão, pelo que não é necessário contar com Pequim ou Moscovo para defender o país, que conta com o seu próprio povo para proteger a sua segurança e soberania.
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