A repressão das novas manifestações tem sido severa, e as autoridades restringiram o acesso à Internet em todo o país.
O alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos condenou e exigiu o fim da "repressão dos protestos no Irão, que resultaram em mais de 600 mortos desde 28 de dezembro, segundo uma organização não governamental.
"O assassínio de manifestantes pacíficos tem de parar e é inaceitável rotular manifestantes como terroristas para justificar a violência contra eles", lê-se em comunicado do austríaco Volker Türk.
Para Türk, "os iranianos têm direito ao protesto pacífico" e "as suas queixas devem ser ouvidas e atendidas e não devem ser exploradas por ninguém".
O responsável da Organização das Nações Unidas (ONU) pediu às autoridades iranianas para acabarem "imediatamente com todas as formas de violência e de repressão contra manifestantes pacíficos" e para que seja restabelecido "o pleno acesso à internet e aos serviços de telecomunicações".
O Irão vive nova vaga de protestos, iniciada na capital por comerciantes e setores económicos afetados pelo colapso do rial, a moeda iraniana, e pela elevada inflação, alastrando-se depois a dezenas de cidades do país.
A taxa de inflação anual é superior a 42% e, durante o ano passado, o rial perdeu 69% do seu valor face ao dólar, num contexto em que a economia foi fortemente atingida pelas sanções dos Estados Unidos da América (EUA) e da ONU devido ao incumprimento do programa nuclear de Teerão.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o Irão quer negociar com Washington, após a sua ameaça de atacar aquela república islâmica devido à repressão sobre os manifestantes, que, segundo ativistas, provocou pelo menos 646 mortos.
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, em entrevista à televisão Al Jazeera, disse que continuava em contacto com o enviado dos EUA, Steve Witkoff.
Após as concentrações pró-governamentais de segunda-feira, o líder supremo do Irão considerou que se tratou de "um aviso aos políticos norte-americanos para que parem com as manobras enganadoras".
Ali Khamenei acrescentou que estas "manifestações maciças e determinadas frustraram o plano de inimigos estrangeiros", que seria executado por "mercenários iranianos".
Em junho passado, Israel e Estados Unidos realizaram ataques aéreos contra instalações ligadas ao programa nuclear e de mísseis balísticos do Irão.
A repressão das novas manifestações tem sido severa, e as autoridades restringiram o acesso à Internet em todo o país.
Em resposta, o presidente norte-americano, Donald Trump, pretende o envio de satélites da empresa Starlink, do multimilionário Elon Musk, de forma a garantir que a população se mantenha 'online'.
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