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Correio da Manhã

Mundo

Jovem salvo 11 dias depois

Onze dias após o devastador sismo que sacudiu o Haiti e já depois de suspensas oficialmente as operações de busca, uma equipa internacional de resgate conseguiu retirar com vida um jovem de 25 anos dos escombros de uma mercearia.
25 de Janeiro de 2010 às 00:30
Wismond Exantis foi resgatado dos escombros por equipas francesas e gregas
Wismond Exantis foi resgatado dos escombros por equipas francesas e gregas FOTO: Marco Domino/Un Photo

"Bebi Coca-Cola e cerveja e comi biscoitos", contou Wismond Exantus, algumas horas após ter sido retirado das ruínas de uma mercearia de Port-au--Prince. O jovem, que conseguia mover-se e falar, foi retirado dos escombros, sob os aplausos de uma multidão, por bombeiros franceses, ajudados por socorristas norte--americanos e gregos, após o que foi levado para o hospital. A operação, delicada, demorou sete horas.

O jovem foi retirado com vida dos escombros pelos socorristas, que escavaram um túnel para conseguir chegar à mercearia, depois de saqueadores que procuravam comida terem ouvido uma voz e dado o alerta a um jornalista grego que por ali passava. Este contactou socorristas do seu país, o que permitiu que a operação se concretizasse. Wismond conta que conseguiu manter-se vivo durante o violento terramoto lançando-se para debaixo de uma secretária quando os escombros começaram a cair à sua volta. Circunscrito a um espaço tão reduzido, o jovem foi forçado a estar todo o tempo todo de costas. "Teria comido tudo o que encontrasse", salienta, acrescentando que, "desde o abalo, não sabia quando era dia ou noite".

"Não gritei, simplesmente rezei. Era Deus quem me levava nos braços. Ele deu-me força", declarou Wismond.

"Estava esfomeado, mas todos os dias pensava que iria sobreviver", acrescentou ainda o jovem, que, quando foi salvo, julgou que só tinham passado seis dias desde o sismo.

OUTROS MILGARES QUE COMOVERAM O MUNDO

BEBEU A PRÓPRIA URINA

Emmanuel Buso, de 21 anos, esteve dez dias preso nos escombros da sua casa em Port-au-Prince. Sem comida ou água, bebeu a própria urina para sobreviver.

SALVA PELOS VIZINHOS

Resgatada pelos vizinhos após oito dias soterrada, Mendji Sanon, de 11 anos, pediu leite e corn flakes antes de desmaiar. Está a recuperar no hospital, mas tem pesadelos.

SORRIU E PEDIU UM ABRAÇO

Ao fim de oito dias soterrado, sem comida ou água, Kiki, de apenas sete anos, saiu dos destroços de braços abertos e um enorme sorriso no rosto, alegre por estar vivo.

VIVIA NO SUPERMERCADO

Lozama Hotteline, de 25 anos, vivia num apartamento por cima de um supermercado em Port-au-Prince. Sete dias após o sismo, foi resgatada. Ferida, mas sorridente.

PASSOU O TEMPO A REZAR

Uma semana após o sismo, o Mundo comoveu-se com o resgate de Ena Zizi, 69 anos, soterrada sob os escombros da catedral de Port-au-Prince. Passou o tempo a rezar.

METADE DA VIDA NOS DESTROÇOS

Elisabeth Joassaint tinha pouco mais de uma semana de vida quando a sua casa lhe caiu em cima. Sobreviveu sete dias nos destroços, um verdadeiro milagre de resistência.

CHEF PORTUGUÊS IMPRESSIONADO

O chef de cozinha da cafetaria da ONU em Port-au-Prince, Artur dos Santos, guarda na memória o barulho "assustador" da terra a tremer. "Nunca tinha visto nada assim. Foi um terror", contou o português. Contudo, ‘Arturzito’, de 63 anos, que já viveu em países como o Iraque, Kosovo, Angola e Moçambique, tenciona ficar no Haiti.

APONTAMENTOS

MAIS DE 150 MIL MORTOS

O número de mortos confirmados do sismo do passado dia 12 no Haiti é superior a 150 mil só na área metropolitana da capital, Port-au-Prince. Este número tem por base a contagem de corpos na capital e áreas periféricas feita por uma empresa estatal que tem estado a recolher corpos e a enterrá-los em valas comuns.

NOVOS TUMULTOS

As tropas da ONU tiveram de disparar tiros de aviso e lançar gás lacrimogéneo durante uma operação de distribuição de ajuda humanitária a cerca de uma centena de pessoas em Port-au-Prince, para evitar confrontos.

MISSA NAS RUÍNAS

Centenas de fiéis participaram na missa dominical na quase totalmente destruída catedral de Port-au-Prince. Num púlpito improvisado de frente para o que ainda resta da catedral, o padre iniciou a celebração rezando com um megafone.

CONFERÊNCIA NO CANADÁ

O Canadá acolhe hoje uma conferência internacional para discutir a ajuda ao Haiti e as medidas para recuperar a economia do país. Os participantes vão ainda acertar a coordenação das operações de distribuição de ajuda, que passarão a estar sob controlo directo das Nações Unidas.

MÉDICA LUSA COM MISSÃO DIFÍCIL

Quando chegou ao Haiti, a médica lusa Cristina Mendonça tinha uma missão: ajudar a identificar cadáveres. Mas depressa percebeu as dificuldades, porque os corpos eram atirados para valas comuns sem serem identificados. "Sem registos dentários ou impressões digitais", única opção é fotografar os corpos para posterior identificação.

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