Onze dias após o devastador sismo que sacudiu o Haiti e já depois de suspensas oficialmente as operações de busca, uma equipa internacional de resgate conseguiu retirar com vida um jovem de 25 anos dos escombros de uma mercearia.
"Bebi Coca-Cola e cerveja e comi biscoitos", contou Wismond Exantus, algumas horas após ter sido retirado das ruínas de uma mercearia de Port-au--Prince. O jovem, que conseguia mover-se e falar, foi retirado dos escombros, sob os aplausos de uma multidão, por bombeiros franceses, ajudados por socorristas norte--americanos e gregos, após o que foi levado para o hospital. A operação, delicada, demorou sete horas.
O jovem foi retirado com vida dos escombros pelos socorristas, que escavaram um túnel para conseguir chegar à mercearia, depois de saqueadores que procuravam comida terem ouvido uma voz e dado o alerta a um jornalista grego que por ali passava. Este contactou socorristas do seu país, o que permitiu que a operação se concretizasse. Wismond conta que conseguiu manter-se vivo durante o violento terramoto lançando-se para debaixo de uma secretária quando os escombros começaram a cair à sua volta. Circunscrito a um espaço tão reduzido, o jovem foi forçado a estar todo o tempo todo de costas. "Teria comido tudo o que encontrasse", salienta, acrescentando que, "desde o abalo, não sabia quando era dia ou noite".
"Não gritei, simplesmente rezei. Era Deus quem me levava nos braços. Ele deu-me força", declarou Wismond.
"Estava esfomeado, mas todos os dias pensava que iria sobreviver", acrescentou ainda o jovem, que, quando foi salvo, julgou que só tinham passado seis dias desde o sismo.
OUTROS MILGARES QUE COMOVERAM O MUNDO
BEBEU A PRÓPRIA URINA
Emmanuel Buso, de 21 anos, esteve dez dias preso nos escombros da sua casa em Port-au-Prince. Sem comida ou água, bebeu a própria urina para sobreviver.
SALVA PELOS VIZINHOS
Resgatada pelos vizinhos após oito dias soterrada, Mendji Sanon, de 11 anos, pediu leite e corn flakes antes de desmaiar. Está a recuperar no hospital, mas tem pesadelos.
SORRIU E PEDIU UM ABRAÇO
Ao fim de oito dias soterrado, sem comida ou água, Kiki, de apenas sete anos, saiu dos destroços de braços abertos e um enorme sorriso no rosto, alegre por estar vivo.
VIVIA NO SUPERMERCADO
Lozama Hotteline, de 25 anos, vivia num apartamento por cima de um supermercado em Port-au-Prince. Sete dias após o sismo, foi resgatada. Ferida, mas sorridente.
PASSOU O TEMPO A REZAR
Uma semana após o sismo, o Mundo comoveu-se com o resgate de Ena Zizi, 69 anos, soterrada sob os escombros da catedral de Port-au-Prince. Passou o tempo a rezar.
METADE DA VIDA NOS DESTROÇOS
Elisabeth Joassaint tinha pouco mais de uma semana de vida quando a sua casa lhe caiu em cima. Sobreviveu sete dias nos destroços, um verdadeiro milagre de resistência.
CHEF PORTUGUÊS IMPRESSIONADO
O chef de cozinha da cafetaria da ONU em Port-au-Prince, Artur dos Santos, guarda na memória o barulho "assustador" da terra a tremer. "Nunca tinha visto nada assim. Foi um terror", contou o português. Contudo, ‘Arturzito’, de 63 anos, que já viveu em países como o Iraque, Kosovo, Angola e Moçambique, tenciona ficar no Haiti.
APONTAMENTOS
MAIS DE 150 MIL MORTOS
O número de mortos confirmados do sismo do passado dia 12 no Haiti é superior a 150 mil só na área metropolitana da capital, Port-au-Prince. Este número tem por base a contagem de corpos na capital e áreas periféricas feita por uma empresa estatal que tem estado a recolher corpos e a enterrá-los em valas comuns.
NOVOS TUMULTOS
As tropas da ONU tiveram de disparar tiros de aviso e lançar gás lacrimogéneo durante uma operação de distribuição de ajuda humanitária a cerca de uma centena de pessoas em Port-au-Prince, para evitar confrontos.
MISSA NAS RUÍNAS
Centenas de fiéis participaram na missa dominical na quase totalmente destruída catedral de Port-au-Prince. Num púlpito improvisado de frente para o que ainda resta da catedral, o padre iniciou a celebração rezando com um megafone.
CONFERÊNCIA NO CANADÁ
O Canadá acolhe hoje uma conferência internacional para discutir a ajuda ao Haiti e as medidas para recuperar a economia do país. Os participantes vão ainda acertar a coordenação das operações de distribuição de ajuda, que passarão a estar sob controlo directo das Nações Unidas.
MÉDICA LUSA COM MISSÃO DIFÍCIL
Quando chegou ao Haiti, a médica lusa Cristina Mendonça tinha uma missão: ajudar a identificar cadáveres. Mas depressa percebeu as dificuldades, porque os corpos eram atirados para valas comuns sem serem identificados. "Sem registos dentários ou impressões digitais", única opção é fotografar os corpos para posterior identificação.
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