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Correio da Manhã

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Justiça aperta cerco ao presidente Temer

Polícia Federal deteve mais um assessor especial do chefe de Estado brasileiro.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 24 de Maio de 2017 às 08:45
Tadeu Filipelli é suspeito de desviar milhões
Rodrigo Rocha Loures
Michel Temer
Michel Temer, Presidente da República do Brasil
Tadeu Filipelli é suspeito de desviar milhões
Rodrigo Rocha Loures
Michel Temer
Michel Temer, Presidente da República do Brasil
Tadeu Filipelli é suspeito de desviar milhões
Rodrigo Rocha Loures
Michel Temer
Michel Temer, Presidente da República do Brasil
Numa nova operação contra a corrupção que atinge o presidente brasileiro Michel Temer, a Polícia Federal prendeu ontem em Brasília um dos seus assessores especiais, Tadeu Filippelli. Ele é acusado de, quando era vice-governador de Brasília, ter participado numa fraude que desviou 264 milhões de euros das obras de construção do novo Estádio Nacional.

Filippelli, presidente do partido de Temer, o PMDB, em Brasília, foi preso juntamente com os ex-governadores da capital brasileira José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz, além de vários executivos de construtoras, todos acusados do mesmo crime.

Tadeu Filippelli é o quarto dos cinco assessores especiais de Temer a ser ligado a casos de corrupção. Além de Filippelli, exonerado do cargo ontem mesmo, outro assessor, José Yunes, demitiu-se após denúncia de ter recebido milhões em dinheiro ilícito da Odebrecht, e um terceiro, Sandro Mabel, é acusado pelo Ministério Público de, quando era deputado, pedir luvas para aprovar uma medida que beneficiava empresários.

O quarto, o atual deputado Rodrigo Rocha Loures, teve o mandato suspenso na semana passada pelo Supremo Tribunal após ser filmado a receber uma mala cheia de dinheiro vivo - 500 mil reais, cerca de 136 mil euros - dado pela empresa JBS e supostamente destinado a Temer.

O próprio presidente estará muito perto de perder o cargo, depois de outra gravação comprometedora ter levado o Supremo Tribunal a instaurar uma investigação contra ele por corrupção e obstrução à Justiça. Na gravação, feita pelo dono da JBS, Joesley Batista, Temer parece autorizar a decisão do empresário de comprar o silêncio de testemunhas - incluindo o ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, detido no âmbito da Lava Jato - que poderiam comprometê-los.

Lula da Silva alvo de nova acusação
O ex-presidente Lula da Silva foi denunciado mais uma vez pelo Ministério Público de Curitiba, desta feita por ter, alegadamente, recebido uma casa de campo nos arredores de São Paulo como parte de luvas pagas por construtoras.

Cabe agora ao juiz Sérgio Moro, chefe da operação anticorrupção Lava Jato, que comanda dois dos outros cinco processos em que Lula já é arguido, decidir se aceita ou não um novo processo contra o ex-presidente brasileiro. 

PGR pede prisão de Aécio Neves
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, voltou a pedir ao Supremo Tribunal a prisão do senador Aécio Neves, presidente do PSDB - maior partido aliado de Temer - e ex-candidato presidencial.

Aécio, igualmente apontado como candidato às presidenciais de 2018, foi um dos apanhados nas gravações secretas do empresário Joesley Batista a pedir milhões em luvas e tem o mandato suspenso desde a semana passada.

PORMENORES 
Saída negociada
Renan Calheiros, líder do partido de Temer no Senado, fez ontem um pedido de duvidosa aceitação ao chefe de Estado, para que este "facilite uma saída negociada" para a crise. Esta solução passaria, segundo o senador, pela renúncia de Temer e eleição de outro presidente pelo Congresso.

Ministros seguram Temer
Os ministros que mais se opõem à renúncia de Michel Temer, Eliseu Padilha e Moreira Franco, têm um interesse próprio em que o governo não seja dissolvido, pois ambos são acusados de corrupção e, se deixarem de ser ministros, perderão o foro privilegiado e irão parar às mãos do temido juiz Sérgio Moro, que lidera a Lava-Jato.
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