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Justiça brasileira impede último debate televisivo entre candidatos presidenciais

Cancelamento aconteceu a poucos minutos do início do debate.

03 de outubro de 2026 às 01:30

Culminando uma campanha marcada por ingerências de magistrados de tribunais superiores, a TV Globo cancelou a poucos minutos do início o último debate entre os candidatos antes da primeira volta das eleições, domingo, após mais uma decisão judicial que a emissora considerou uma violação à liberdade de imprensa e às regras previamente acordadas com todos os participantes. A decisão foi emitida pouco antes do debate pela juíza Stela Aranha, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), eleitora assumida de Lula da Silva, tentando proteger o presidente e candidato à reeleição, que decidiu não participar no evento.

A magistrada proibiu a Globo de exibir a cadeira vazia destinada a Lula, como previa o regulamento do debate e foi aprovado por todos, inclusive pelo governante, e ainda que os outros presidenciáveis fizessem perguntas ao ausente, como também estava previsto e é comum há anos. Stela Aranha avançou sem constrangimento que tomava a decisão porque a exibição da cadeira vazia e as perguntas dos adversários ao ausente poderiam provocar danos graves à imagem de Lula e ao seu projeto de reeleição.

Em reação à decisão da magistrada em favor de Lula, o seu principal adversário, Flávio Bolsonaro, desistiu de comparecer ao debate, alegando que as regras democráticas e a liberdade de expressão estavam a ser atropeladas. Flávio e Lula, que as sondagens mostram tecnicamente empatados, faltaram aos debates anteriores, mas Flávio tinha anunciado que iria ao da Globo e faria perguntas ao ausente Lula, que preferiu dar uma entrevista a um Podcast.

Stela Aranha, que divulgou nas redes sociais um vídeo declarando ir votar em Lula, foi nomeada por este em Agosto do ano passado para o TSE. Antes, Stela tinha sido secretária Nacional de Direitos Digitais do actual governo e assessora especial de Lula e do ex-ministro da Justiça dele, Flávio Dino, hoje juiz do Supremo Tribunal Federal (STF).

A Globo também citou a decisão do juiz Gilmar Mendes, do STF, obrigando a emissora a convidar o presidenciável Renan Santos, cujo partido não tem o número mínimo de parlamentares exigido. Associações de imprensa criticaram as ingerências judiciais, e os presidenciáveis convidados para o debate, a última chance de aparecerem para os eleitores, criticaram tanto o ativismo judiciário no processo eleitoral quanto a emissora por cancelar o evento. 

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