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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

LETIZIA PREOCUPADA

Dois dias depois de ter sido formalmente pedida em casamento pelo príncipe Felipe, das Astúrias, Letizia Ortiz, a mais popular mulher de Espanha nos dias que correm, afirmou-se preocupada pela desmesurada atenção centrada na sua pessoa.

09 de novembro de 2003 às 00:00

Quanto ao que se tem dito a seu respeito nos últimos dias, encerrou a questão afirmando: “quero manter-me à margem do turbilhão”.

Em entrevista ao diário espanhol ‘ABC’, no qual trabalhou no início da sua carreira jornalística, Letizia afirmou ter os pés assentes na terra. Diz-se, apesar disso, algo abismada com a repercussão pública do anúncio do seu noivado com o príncipe herdeiro espanhol.“Preocupa-me saber que reparam em tudo que digo e como o digo”, afirmou, garantindo que até agora se tem mantido consciente do que tem acontecido, pois “tudo resultou de uma decisão meditada e fruto do amor”.

Sobre a cerimónia de pedido de mão, na quinta-feira, disse ser “um dia emocionante para toda a família”, de que guarda recordação “inesquecível”.

Em referência ao encontro dos pais – Jesus Ortiz e Paloma Rocasolano – com os reis de Espanha, considerou que tudo aconteceu em ambiente descontraído, mas segundo as normas. E não adiantou mais, salientando “não poder dar pormenores”.

Asturiana de nascimento, afirmou-se desejosa de regressar às origens, embora não saiba quando tal será possível. “Tenho vontade de ver como me olham”, afirmou.

Felipe é, curiosamente, príncipe das Astúrias, pelo que o primeiro filho do casal poderá chamar-se Pelágio, em honra do chefe visigodo que no séc. VIII fundou o reino asturiano.

Quando lhe perguntaram se estava satisfeita com o que tem sido dito sobre si, comentou, algo surpresa: “o que dizem é bom, não é?”. Mas, embora afirmando-se determinada a ficar à margem, não resistiu – talvez por vício profissional, pois é jornalista – a saber o que se tem dito. Depois, concluiu: “na maior parte é bom”.

OBSTÁCULOS TEOLÓGICOS ENTRAVAM CASAMENTO RELIGIOSO

O primeiro casamento da noiva do príncipe herdeiro está a causar uma acesa disputa teológica em Espanha. Embora a hierarquia católica espanhola, a começar pelo cardeal de Madrid, Rouco Varela, tenha mantido até agora o silêncio sobre as primeiras núpcias de Letizia Ortiz, os peritos em assuntos canónicos interrogam-se sobre a necessidade, ou não, de ser submetida a um “exame religioso especial” para determinar a seriedade dos motivos da sua súbita conversão.

É que o primeiro casamento de Letizia foi civil, e isso, segundo, o teólogo jesuíta Juan Antonio Estrada, não pode ser esquecido. “Se antes não se casou pela Igreja e até agora não deu mostras de mudar as suas crenças, será coerente o casamento eclesiástico?”, perguntou, assinalando que muitas vezes se recorre aos casamentos religiosos por “razões políticas e de conveniência”. Por isso mesmo insiste que, sendo as “exigências eclesiásticas” iguais para todos, Letizia deverá manifestar publicamente “o seu compromisso cristão”, assistindo, nomeadamente, a cursos pré-matrimoniais.

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