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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Líder do parlamento da Venezuela promete apresentar amnistia "muito em breve"

Projeto de lei de amnistia geral será debatido no parlamento esta quinta-feira.

05 de fevereiro de 2026 às 07:54

O presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, garantiu que a primeira discussão no parlamento sobre o projeto de lei de amnistia geral prometido pela irmã, a presidente interina Delcy Rodríguez, terá lugar "muito em breve".

"Será muito, muito em breve", disse Rodríguez na quarta-feira, após uma reunião com representantes do partido no poder e de sete movimentos da oposição.

De acordo com fontes próximas do Governo e da oposição, o projeto de lei será debatido no parlamento já esta quinta-feira.

Em 30 de janeiro, Delcy Rodríguez anunciou a proposta de uma lei de amnistia para libertar os presos políticos detidos desde 1999 até à atualidade, período que abrange os governos do chavismo, embora de momento se desconheçam os detalhes.

Desde o início de janeiro, foram libertados 367 presos políticos, mas quase 700 continuam detidos, segundo a organização não governamental Foro Penal.

Uma lei de amnistia geral permitiria que estes prisioneiros escapassem a processos judiciais. Atualmente, os libertados estão em liberdade condicional.

O alcance da futura amnistia permanece incerto, e os defensores dos direitos humanos esperam que não abranja crimes contra a humanidade, especialmente porque o Tribunal Penal Internacional abriu uma investigação sobre possíveis crimes desta natureza sob o governo de Maduro.

O governador do estado de Cojedes (noroeste), Alberto Galíndez, o único líder regional ligado à oposição, também manifestou o desejo de que a amnistia se limite aos dissidentes e exigiu a punição daqueles que os perseguiram.

"Deve haver justiça também para os perpetradores, para aqueles que trabalharam para prejudicar estes presos políticos", declarou, numa conferência de imprensa, na quarta-feira.

Sobre o alcance da futura amnistia, "esperamos chegar a um consenso suficiente para que a lei da amnistia seja aprovada por unanimidade", disse Jorge Rodríguez.

Horas antes, parte da oposição venezuelana - onde se inclui Henrique Capriles, que por duas vezes foi candidato presidencial - revelou que tinha aceitado um convite de Delcy Rodríguez para iniciar um processo de diálogo.

Numa mensagem publicada na plataforma Telegram, na quarta-feira, Jorge Rodríguez explicou que a reunião serviu para "consolidar uma agenda de trabalho" para a Comissão para a Coexistência Democrática e a Paz.

O presidente do parlamento acrescentou que a reunião teve como objetivo definir uma agenda para "fortalecer a paz" e a "soberania" da Venezuela, sem adiantar mais pormenores.

A oposição sublinhou que sete movimentos políticos, incluindo o partido União e Mudança, de Henrique Capriles, aceitaram o convite de Delcy Rodríguez para discutir os problemas dos cidadãos.

A reunião não incluiu a maior coligação de oposição da Venezuela, liderada por María Corina Machado, que mantém a exigência de reconhecimento da vitória de Edmundo González Urrutia nas presidenciais de julho de 2024, contra Nicolás Maduro.

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