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Líder do Partido diz que Bolsonaro usa o cargo para perseguir pessoas

"Muitas pessoas próximas a ele, que o apoiaram desde o início, já levaram um chuto no traseiro", disparou Waldir.

19 de outubro de 2019 às 15:29

O líder do Partido Social Liberal, PSL, na Câmara dos Deputados, Delegado Waldir, que Jair Bolsonaro tentou tirar do cargo esta semana com uma manobra que tentava colocar no lugar o próprio filho Eduardo Bolsonaro e não deu certo, acusou o presidente da República de estar a usar o cargo para perseguir pessoas. Principalmente, adiantou Waldir, aliados que sempre o apoiaram mas por terem discordado de alguma manobra ou decisão ou por Bolsonaro avaliar já não terem mais serventia caíram em desgraça e o presidente quer descartar sumariamente.

"O presidente está a usar o cargo para perseguir pessoas próximas a si. Ele já 'chutou' o Bebianno, o Santos Cruz e o Magno Malta. Muitas pessoas próximas a ele, que o apoiaram desde o início, já levaram um chuto no traseiro", disparou Waldir, uma das vozes mais críticas a Jair Bolsonaro desde que o presidente tentou assumir à força o comando do PSL, a que ambos pertencem.

Gustavo Bebianno, a que Waldir se referiu, foi um dos grandes responsáveis pela eleição de Jair Bolsonaro, cuja campanha vitoriosa coordenou, e foi nomeado ministro da Secretaria-Geral da Presidência, mas apenas 45 dias depois foi demitido após pedido nesse sentido de Carlos Bolsonaro, um dos filhos do presidente.

O general Santos Cruz, ministro da Articulação Política, também foi demitido após desentendimentos com Carlos, e Magno Malta, a quem o próprio Bolsonaro disse após a confirmação da vitória que não teria conseguido sem ele, foi repetidamente cotado para o governo mas, inesperadamente, o presidente escolheu uma assessora do aliado e suposto amigo para o cargo, Damares Alves, pastora evangélica ultra radical.

Waldir, a quem o chefe de Estado ainda não desistiu de tirar o cargo para o dar ao filho Eduardo e assim comandar pessoalmente a bancada parlamentar do PSL, um dia após essa manobra chamou "vagabundo" a Jair Bolsonaro durante um almoço com outras lideranças do partido. A ofensa foi revelada num áudio partilhado para a imprensa, tal como a ameaça do deputado de "implodir" o presidente com uma gravação que teria em seu poder e que agora explicou.

"O áudio a que eu me referi foi aquele diálogo que o Brasil todo ouviu, o presidente a tentar comprar a eleição do filho dele para líder da bancada do PSL na Câmara dos Deputados, em que ele diz que os partidos têm muitos cargos e muito dinheiro por causa do Fundo Partidário e que ele precisa ter o controlo disso tudo. É um áudio bombástico.", acrescentou o deputado, referindo-se a outra mensagem de áudio igualmente partilhada no final da semana, na qual Jair Bolsonaro alicia por telefone deputados do PSL com cargos e outros benefícios para que eles o ajudem a tirar Waldir da liderança da bancada parlamentar para colocar o filho Eduardo no lugar.

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