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Lula da Silva afirma que Brasil "não vai ficar a chorar" após tarifas dos Estados Unidos

Presidente brasileiro declarou ainda que quer procurar outros mercados.

23 de julho de 2026 às 07:16

O Presidente brasileiro, Lula da Silva, declarou esta quarta-feira que o seu Governo não vai "ficar a chorar" com a entrada em vigor do aumento das tarifas norte-americanas, afirmando querer procurar outros mercados.

Uma sobretaxa de 25% sobre determinados produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos entrou em vigor esta quarta-feira. A Administração do Presidente Donald Trump acusa o Brasil de práticas comerciais desleais, enquanto Brasília denunciou uma medida que considera injusta.

"Não vamos ficar a chorar por um produto que não lhes vendemos, (...) vamos procurar outros compradores", afirmou Lula da Silva, num evento em que anunciou uma linha de crédito para acudir aos setores brasileiros afetados pela política comercial da Casa Branca.

Num primeiro momento, o dirigente da maior economia da América Latina tinha anunciado que recorreria a uma lei de reciprocidade comercial. Mas o seu vice-presidente, Geraldo Alckmin, explicou na terça-feira que a ideia de Brasília não passa por uma política de "olho por olho" com medidas de retaliação direta.

"Não vamos levantar-nos da mesa de negociações. São eles que não querem negociar", lançou Lula esta quarta-feira.

As tarifas alfandegárias impõem-se como tema central antes das eleições presidenciais de outubro. Lula concorrerá à reeleição contra o senador Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro (2019-2022), apoiado por Donald Trump.

O Governo brasileiro vai conceder 18,5 mil milhões de reais (3,2 mil milhões de euros) em créditos às empresas afetadas e prometeu ajudá-las a "diversificar" os seus mercados.

Produtos como a carne bovina e o café foram isentados das novas tarifas, mas setores como o das máquinas, calçado ou madeira foram penalizados.

Ao anunciar a nova linha de crédito, o Presidente brasileiro afirmou que "há males que vêm para o bem" e disse acreditar que o Brasil pode procurar novos parceiros comerciais e sair fortalecido.

"Mesmo com a decisão abrupta do Governo americano (...), estamos conversando com países para ganhar mais do que estávamos ganhando. Temos que procurar saída, o Brasil é grande, respeitado, tem credibilidade conquistada no mercado internacional", declarou.

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