País está disposto a fazer acordo com todos os países, mas sem abrir mão da soberania.
O Presidente brasileiro, Lula da Silva, sublinhou, esta sexta-feira, que não permitirá que se apropriem da riqueza mineral do país como na época do "ciclo do ouro, em que levaram tudo".
O Brasil, se não tirar proveito dessa fase da revolução energética que o mundo tanto tem, briga, e se não tirar proveito das suas terras raras e dos seus minerais críticos, nós iremos jogar fora uma oportunidade", disse o chefe de Estado brasileiro, em Barcelona, ao lado do primeiro-ministro espanhol, Pedro Sanchéz, depois dos dois países assinarem um memorando de entendimento no setor de minerais críticos.
"O Brasil já deixou passar o ciclo do ouro, em que levaram tudo, enriqueceu muitos países e o Brasil continuou pobre. América Latina já deixou passar o ciclo do ouro, o ciclo da prata, o ciclo da pérola, já o ciclo do minério de ferro, o ciclo da madeira, nós não podemos agora permitir que a riqueza que a natureza nos deu, não permita que a gente fique rico", frisou, no seu primeiro dia da visita Europa, que termina na terça-feira, em Lisboa.
Segundo o chefe de Estado brasileiro, no final da primeira cimeira Espanha-Brasil, realizada em Barcelona, o país está disposto a fazer acordo com todos os países, mas sem abrir mão da soberania, sendo que esta é uma "questão de segurança nacional".
"Nós iremos construir, em parceria com quem quiser construir, quem quiser nos ajudar, quem quiser levar tecnologia e compartilhar tecnologia connosco, estaremos de braços abertos", disse, avisando: "mas ninguém, ninguém, a não ser o Brasil, será dono da nossa riqueza mineral".
Terras raras é um conjunto de 17 elementos químicos encontrados em abundância em vários países, e são utilizados essencialmente para tecnologia de ponta e fundamentais para a transição energética.
Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME) do Brasil, o país tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, o que tem provocado forte cobiça e pressão da Casa Branca sobre o Governo de Lula da Silva.
Na semana passada, o Presidente do Brasil, criticou dois adversários políticos pré-candidatos à presidência brasileira de outubro pelo alinhamento que têm em relação à Casa Branca e acusou-os de querem "vender o Brasil" aos Estados Unidos.
Lula da Silva citou especificamente o senador Flávio Bolsonaro e o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, ambos políticos de direita, ao declarar que o Brasil não pode abrir mão de minerais considerados estratégicos.
"O Flávio Bolsonaro quer vender para os Estados Unidos algo que é muito importante para o Brasil", afirmou Lula da Silva, em entrevista ao portal ICL Notícias.
A conferência de imprensa dos dois líderes, esta sexta-feira, encerrou uma cimeira que começou com honras militares.
Lula e Sánchez estão na origem das três iniciativas internacionais que decorrem sexta-feira e sábado em Barcelona, já que, além desta cimeira bilateral, haverá outra também institucional denominada "Em defesa da democracia" e um fórum progressista que contará, entre os seus 3.000 participantes, com os presidentes da Colômbia, Gustavo Petro, do México, Claudia Sheinbaum, de Cabo Verde, José Maria Neves, e do Conselho Europeu, António Costa.
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