Presidente brasileiro respondeu a Trump durante uma conferência de imprensa realizada à margem da Cimeira do G7, em Évian, França.
O Presidente brasileiro, Lula da Silva, reagiu esta quarta-feira às declarações do homólogo norte-americano, Donald Trump, sobre a situação política do Brasil, afirmando que os Estados Unidos têm de aprender com o sistema eleitoral brasileiro.
Lula respondeu a Trump durante uma conferência de imprensa realizada à margem da Cimeira do G7, em Évian, França, e prometeu mostrar ao chefe de Estado norte-americano uma urna eletrónica na próxima vez que os dois se encontrarem.
Antes, numa conferência de imprensa, Trump declarou que a situação política no Brasil é perigosa e que o país se tornou “um pouco complicado”.
Na ocasião, o político republicano foi questionado sobre se conversou durante o G7 sobre as novas tarifas impostas ao Brasil e sobre a classificação de fações criminosas brasileiras como organizações terroristas globais.
"Na verdade, passei bastante tempo com ele [Lula]. E o Brasil tornou-se um país um pouco complicado, não é? Politicamente. A situação política ficou um pouco perigosa. Você está falando do Brasil, certo? Tem sido algo desagradável”, completou.
Na sequência, Trump mostrou o seu apoio a Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato a Presidente do Brasil, e tornou a comentar o sistema eleitoral brasileiro ao dizer que “eles jogam duro, mas ninguém joga mais duro que os Estados Unidos”.
Questionado sobre essas declarações de Trump, Lula ironizou, dizendo que o norte-americano conhece pouco o Brasil.
“Eu acho que ele conhece pouco o Brasil. Se ele conhece o Brasil pela relação que ele tem com a família Bolsonaro, ele desconhece o Brasil”, declarou.
O Presidente brasileiro defendeu a confiabilidade do sistema eleitoral do país e destacou a rapidez do apuramento dos resultados.
"Se tem alguém que tem que aprender com as eleições civilizadas no Brasil, é o meu amigo Trump", afirmou o chefe de Estado brasileiro.
"Na próxima vez eu vou levar uma urna eletrónica para mostrar para ele como é que ela funciona", ironizou.
Segundo Lula, Trump tem o direito de manter as suas preferências políticas e ideológicas, mas deve respeitar o princípio da não ingerência entre Estados.
“Ele pode continuar gostando do Bolsonaro, do pai, do filho, do neto. Não tem nenhum problema. (...) Agora, não se meta nas eleições do Brasil, porque as eleições do Brasil é um problema do Brasil”, indicou.
"O que eu quero é o respeito pelo Brasil que eu tenho pelos Estados Unidos", declarou.
Questionado sobre a sua relação com Trump durante a cimeira, Lula afirmou que não solicitou uma reunião bilateral com o Presidente norte-americano porque os dois países continuam a negociar questões das tarifas.
"Eu não pedi bilateral para o Trump porque nós estamos em negociação", explicou.
O chefe de Estado brasileiro criticou ainda as tarifas anunciadas por Washington contra produtos brasileiros e classificou a decisão como uma atitude inadequada.
"Eu acho que o que ele fez foi uma coisa desaforada para o Brasil", disse.
Lula afirmou que as negociações continuam a ser conduzidas pelos ministros e diplomatas dos dois países e manifestou confiança numa solução negociada.
Apesar das divergências, o Presidente brasileiro indicou que mantém aberta a possibilidade de um contacto direto com Trump caso as conversações não avancem.
"Se não der em nada, eu não tenho nenhum problema de pegar o telefone e ligar para o Trump outra vez e marcar uma outra conversa", afirmou.
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