Diretor dos Serviços de Saúde alerta que é cedo para regressar à vida normal.
As autoridades de saúde de Macau alertaram esta segunda-feira que ainda é cedo para a população regressar à vida normal, apesar de não se registar há seis dias consecutivos novos casos de infeção com o novo coronavírus chinês.
O diretor dos Serviços de Saúde de Macau sublinhou, em conferência de imprensa, que os números parecem mostrar que estão a ser eficazes as medidas excecionais impostas pelo Governo, que passaram pelo fecho de casinos, de espaços comerciais, culturais e desportivos, bem como pelo envio de milhares de alunos e funcionários para as respetivas casa, com a recomendação de que as famílias permaneçam nos respetivos lares.
"Juntamente com a população estamos a conseguir combater a epidemia, mas isto não significa que não continue a ser grave, pelo que não podemos ainda voltar à nossa vida normal", frisou Lei Chin Ion, advertindo que "a aglomeração de pessoas pode trazer um alto risco" de contágio.
Das 10 pessoas infetadas em Macau com o coronavírus desde o início da epidemia permanecem nove internadas, mas devem receber alta nos próximos dias, já tinham admitido as autoridades de saúde no domingo.
O coordenador dos serviços de urgência do Centro Hospitalar Conde de São Januário, Chang Tam Fei, indicou que, nas últimas 24 horas foram realizados 111 testes no Laboratório de Saúde Pública.
Nas últimas semanas, foram realizados 691 testes. Destes, já foram descartados 656 casos suspeitos. Vinte e cinco pessoas continuam a aguardar o resultado das análises, enquanto 19 pessoas já não se encontram em regime de isolamento.
As autoridades adiantaram ainda que permanecem 91 pessoas na província de Hubei, a província chinesa onde começou o coronavírus, na qual algumas cidades se encontram sob quarentena.
Uma das primeiras medidas do Governo de Macau, para além de enviar milhares de alunos e funcionários públicos para casa, passou pelo racionamento de máscaras. A inexistência de desinfetantes nas prateleiras de farmácias e supermercados levou também o Governo a emitir com caráter de urgência licenças industriais para fábricas locais produzirem estes produtos.
As autoridades informaram esta segunda-feira também que um total de 23 hotéis e pensões foram obrigadas a encerrar portas.
As autoridades chinesas elevaram hoje para 908 mortos e mais 40 mil infetados o balanço do surto de pneumonia na China continental causado pelo novo coronavírus (2019-nCoV) detetado em dezembro, em Wuhan, capital da província de Hubei (centro).
No domingo, segundo dados divulgados pela Comissão Nacional de Saúde da China, foram registadas no território continental chinês 97 mortes e detetados 3.000 novos casos de infeção.
O número total de mortes ascende a 910, contabilizando as duas registadas fora da China continental, uma nas Filipinas e outra em Hong Kong.
O balanço ultrapassa o da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS, na sigla em inglês), que entre 2002 e 2003 causou a morte a 774 pessoas em todo o mundo, a maioria das quais na China, mas a taxa de mortalidade permanece inferior.
Além do território continental da China e das regiões chinesas de Macau e Hong Kong, há mais de 350 casos de contágio confirmados em 25 países. Na Europa, o número chegou no domingo a 39, com duas novas infeções detetadas em Espanha no Reino Unido.
Uma missão internacional de especialistas da Organização Mundial de Saúde (OMS) partiu no domingo para a China. A OMS, que declarou em 30 de janeiro uma situação de emergência de saúde pública internacional, indicou no sábado que os casos de contágio revelados diariamente na China estão a estabilizar, mas sublinhou que era cedo para concluir que a epidemia atingiu o seu pico.
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