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Macron diz que UE pode ser forçada a usar 'bazuca' comercial contra EUA

Instrumento nunca foi utilizado até ao momento e permite restringir as atividades de empresas norte-americanas na UE.

20 de janeiro de 2026 às 15:29

O Presidente francês advertiu esta terça-feira, no Fórum de Davos que a UE pode ver-se forçada a utilizar o instrumento anticoerção comercial contra os Estados Unidos, perante "uma agressão inútil", o que considerou "uma loucura".

"Podemos ser colocados numa posição em que teremos de usar o instrumento anticoerção contra os Estados Unidos. Isto é uma loucura. É o resultado da imprevisibilidade e da agressão inútil", afirmou Emmanuel Macron, numa intervenção no Fórum de Davos, que decorre nesta estância da Suíça, este ano num contexto de acentuadas tensões geopolíticas e comerciais.

Discursando de óculos escuros, devido a um pequeno problema ocular, Macron exortou os outros Estados-membros da UE a não hesitarem em aplicar o instrumento anticoerção, também designado como 'bazuca' comercial, um mecanismo aprovado em 2023 para proteger o bloco de pressões económicas de países terceiros.

Inicialmente pensado tendo em vista a China, aquele instrumento nunca foi utilizado até ao momento e permite restringir as atividades de empresas norte-americanas na UE.

"A Europa tem ferramentas muito poderosas e devemos utilizá-las quando não somos respeitados e quando as regras do jogo não são respeitadas", afirmou o chefe de Estado de França, um dos países europeus aos quais o Presidente norte-americano ameaça impor tarifas suplementares, devido à oposição à aspiração de Donald Trump de assumir o controlo da Gronelândia.

A atual política comercial norte-americana prejudica os interesses da UE em matéria de exportação, exigem concessões máximas em matéria de concorrência e "visam abertamente enfraquecer e subordinar a Europa", referiu Macron.

O Presidente francês defendeu mesmo que, no atual contexto internacional, designadamente a agressão militar russa na Ucrânia, "não faz sentido haver tarifas" comerciais entre Estados Unidos e Europa, que provocam divisão, e ainda menos sentido faz Washington "ameaçar com tarifas adicionais".

Durante a intervenção em Davos, e sem se referir expressamente a Donald Trump, o Presidente francês disse ainda preferir "o respeito em vez da violência" e "o Estado de direito em vez da brutalidade".

Esta edição do Fórum de Davos está a ser marcada pela ameaça dos Estados Unidos de se apropriarem da Gronelândia, território dinamarquês sob a égide da NATO, argumentando que a segurança e a vigilância da ilha ártica foram negligenciadas nos últimos anos e que o controlo desta podia cair nas mãos da China ou da Rússia.

A par da ameaça norte-americana sobre a Gronelândia, a imposição de tarifas adicionais, como anunciado por Trump, a vários países aliados que se opõem àquela ambição norte-americana está também a marcar a reunião.

No sábado, Trump anunciou uma taxa de importação de 10%, a partir de fevereiro, sobre os produtos de oito nações europeias que se uniram em torno da Dinamarca, incluindo França, Reino Unido e Alemanha, que seriam aumentadas para 25% a partir de 01 de junho até que se chegue a um acordo para o controlo total da Gronelândia.

O Presidente dos Estados Unidos, que regressa presencialmente a Davos seis anos depois, durante o primeiro mandato na Casa Branca (2017-2021), tem a intervenção agendada para quarta-feira, naquele que é inevitavelmente o momento mais aguardado do Fórum.

Na intervenção esta manhã (hora local), a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reiterou que a imposição de taxas adicionais pelos Estados Unidos a países europeus devido à Gronelândia "é um erro" e garantiu que a resposta da UE será "firme, unida e proporcional".

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