Decisão vai avançar apesar dos protestos.
O Presidente francês, Emmanuel Macron, considerou que a muito contestada reforma na idade das pensões, que subiu de 62 para 64 anos, terá de entrar em vigor "até ao final do ano".
"Esta reforma é necessária, não me agrada e gostaria de não a ter feito, mas também por isso me comprometi a fazê-la", declarou o chefe de Estado, que salientou a importância da entrada em vigor até ao final do ano "para que as coisas se encaixem".
"Não existem 36 soluções", insistiu Macron, em declarações às cadeias de televisão TF1 e France2.com ao longo de uma entrevista de 35 minutos.
Macron manifestou confiança na entrada em vigor na nova reforma, apesar dos protestos de rua contra aquele projeto.
"Seria bom para 1,8 milhões de pessoas ver as suas pensões aumentadas em cerca de 600 euros por ano", argumentou Macron, que disse estar "preparado para assumir a impopularidade" de aplicar a reforma, reafirmando a sua confiança na primeira-ministra Elisabeth Borne.
"Eu não ando à procura de uma reeleição [...], mas entre eleições conjunturais e o interesse geral do país, escolho o interesse geral do país", afirmou o chefe de Estado francês.
"[Elisabeth Borne] tem a minha confiança para liderar esta equipa governamental", sublinhou, insistindo no que havia afirmado terça-feira, de que não tem em vista qualquer remodelação ministerial no executivo.
O Presidente francês garantiu que a reforma depende agora do parecer do Conselho Constitucional, mas não das manifestações de rua.
"[As manifestações] devem ser respeitadas quando são pacíficas, mas não quando recorrem à violência extrema", argumentou.
Na entrevista, Macron denunciou o "cinismo de algumas das grandes empresas" que geraram lucros excessivos inesperados, o que lhes tem permitido recomprar as suas próprias ações no mercado, pedindo-lhes, por essa razão, "uma contribuição excecional" para que "os trabalhadores possam beneficiar" desse excedente.
"Ainda há um pouco de cinismo no trabalho. Existem grandes empresas que obtêm receitas tão excecionais que acabam a usar esse dinheiro para recomprar as suas próprias ações", disse o Presidente francês, que pediu também ao Governo para que encontre uma forma de "trabalhar numa contribuição excecional" para a população.
Além dos dividendos, cada vez mais empresas optam por recomprar as próprias ações, operação destinada a sustentar o preço da bolsa.
As empresas francesas na bolsa de valores francesa, CAC 40, geraram mais de 142.000 milhões de euros em lucros acumulados em 2022 graças aos recordes dos preços da energia e a tudo o que está associado, beneficiando-se da inflação e da crise energética, augurando um bom ano para os acionistas.
No entanto, Macron rejeitou a solução de tributar os 'superlucros' como a França fez com as empresas de energia".
"Tem de se encontrar a técnica certa", explicou, para que as empresas que "estão no processo de compra das suas ações [...] distribuam mais aos seus funcionários".
Já em 2022, as empresas cotadas no 'CAC 40' recompraram 23.700 milhões de euros em ações, segundo a 'newsletter' financeira Vernimmen.
Segundo dados avançados pela agência noticiosa France-Presse (AFP), a TotalEnergies planeia desembolsar 2.000 milhões de dólares (1.850 milhões de euros) no primeiro trimestre de 2023 para recomprar ações, tanto quanto o grupo pagou em impostos com os "superlucros" na União Europeia (UE) e no Reino Unido.
O grupo do setor automóvel Stellantis quer gastar 1.500 milhões de euros na recompra de ações e pagar 4.200 milhões de euros em dividendos, compensando, paralelamente, com 2.000 milhões de euros em bónus para os respetivos funcionários.
Mas a banca francesa também tem sido particularmente generosa com os seus acionistas.
O BNP Paribas prevê gastar 5.000 milhões de euros num programa de recompra de ações, o equivalente a metade do lucro recorde de mais de 10.000 milhões de euros em 2022.
O Société Générale decidiu dedicar o equivalente a 90% do lucro líquido aos acionistas através de um dividendo em dinheiro e um programa de recompra de ações.
A gigante do luxo LVMH distribuirá 400 milhões de euros pelos seus cerca de 39.000 funcionários franceses, gastará até 1.500 milhões de euros em recompras de ações e pagará cerca de 6.000 milhões de euros em dividendos aos acionistas, incluindo quase 3.000 milhões de euros para a família do CEO Bernard Arnault.
Nos Estados Unidos, o orçamento para 2024 proposto pelo Presidente norte-americano, Joe Biden, prevê "quadruplicar o imposto aplicado às recompras de ações".
As palavras de Macron, que se tem mantido discreto desde janeiro para tratar a questão do aumento da idade da reforma neste que é o início do seu segundo mandato presidencial de cinco anos, que degenerou numa crise política, era aguardado com ansiedade, sobretudo por acontecer na véspera de mais um dia de mobilização sindical, enquanto manifestações não autorizadas e cheias de tensão continuam a ocorrer todos os dias no país.
Mais a mais, prosseguem também em todo o país greves e os bloqueios, sobretudo nos depósitos de petróleo.
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