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Correio da Manhã

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Maioria esmagadora tira mandato a Cunha

Ex-presidente da Câmara dos Deputados afastado com 450 votos a favor e 10 contra.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 14 de Setembro de 2016 às 08:34
Eduardo Cunha, que liderou o processo de destituição da presidente Dilma Rousseff, é alvo de várias investigações na Lava Jato
Eduardo Cunha, que liderou o processo de destituição da presidente Dilma Rousseff, é alvo de várias investigações na Lava Jato FOTO: Adriano Machado/Reuters
O ex-presidente da Câmara dos Deputados do Brasil, Eduardo Cunha, que liderou o processo que levou à destituição de Dilma Rousseff e chegou a ter tanto poder que era conhecido como o ‘dono’ do Parlamento, perdeu o seu mandato parlamentar. Por esmagadores 450 votos contra 10, os deputados votaram a favor da sua expulsão por quebra do decoro parlamentar, por ter mentido ao Congresso sobre contas secretas que tinha na Suíça.

Com esta decisão, e ao contrário do que, numa manobra polémica do Senado, aconteceu com Dilma há duas semanas, Cunha, de 57 anos, perdeu também os direitos políticos por 10 anos.

Uma outra consequência, muito mais perigosa para ele, é que, sem mandato, Cunha deixa de ter foro privilegiado na Justiça, e os inúmeros processos de corrupção que tramitam contra si no Supremo Tribunal podem agora ir parar às mãos do juiz Sérgio Moro, que comanda as investigações da Lava Jato.

Apesar das várias acusações que enfrenta na Justiça, Cunha perdeu o mandato, não por isso, mas por ter mentido numa comissão parlamentar, negando ter contas no estrangeiro. Documentos enviados posteriormente pela Suíça provaram que Cunha, apesar de não ser o titular nominal, era o beneficiário de contas onde foram descobertos milhões de euros supostamente provenientes dos desvios na Petrobras.

Até 5 de maio, quando foi afastado da presidência da Câmara dos Deputados pelo Supremo Tribunal, que o acusou de usar o cargo em proveito próprio, Eduardo Cunha tinha um imenso poder no parlamento, comandando a seu bel-prazer os votos de 360 dos 513 deputados da Câmara. Mas esse grupo parlamentar não oficial era sustentado por favores políticos e pessoais que, sem o cargo e as verbas a ele inerentes, Cunha não conseguiu manter após o afastamento.
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