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Mais de 900 crianças enfrentam fome e doenças após cheias no centro de Moçambique

Cheias afetaram gravemente cinco mil habitantes, cujas casas ficaram submersas.

07 de janeiro de 2026 às 08:54

A World Vision Moçambique (WV-Moc) alertou esta quarta-feira que mais de 900 crianças estão expostas à fome e doenças devido às inundações no distrito da Maganja da Costa, província da Zambézia, centro do país, com 5.000 afetados.

Segundo nota daquela Organização Não-Governamental (ONG), as cheias que assolaram o distrito de Maganja da Costa, devido às chuvas dos últimos dias, afetaram gravemente cinco mil habitantes, cujas casas ficaram submersas, alertando que 936 crianças desalojadas estão expostas à fome, doenças e interrupção escolar.

"Mulheres e idosos enfrentam igualmente a perda de abrigo e a insegurança alimentar, num quadro de destruição dos meios de subsistência. As autoridades, em articulação com parceiros humanitários, sublinham a necessidade urgente de uma intervenção abrangente, com prioridade para os setores da saúde, água, saneamento e higiene, a fim de evitar surtos epidémicos", apela a WV-Moc.

A ONG acrescenta que o acesso às localidades deste distrito continua a ser possível só através de canoas, devido ao isolamento causado pela subida das águas.

Na sexta-feira, dados divulgados pelo Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD) apontaram para um total de 11 pessoas mortas e outras 1.271 afetadas, correspondentes a 253 famílias, pelo mau tempo desde outubro em Nampula.

Desde 01 de outubro, início da época chuvosa, e até 01 de janeiro, 163 casas ficaram total ou parcialmente destruídas e outras 11 inundadas na sequência das intempéries.

A época chuvosa 2025-2026 afetou também 19 escolas e um total de 8.773 alunos, indicou o INGD.

As autoridades moçambicanas ativaram em 28 de dezembro ações de antecipação às cheias, após alerta de ocorrência de chuvas fortes, acompanhadas de trovoadas e ventos com rajadas, esta semana, em cinco províncias do centro e norte do país.

De acordo com o comunicado do INGD, a decisão da ativação do mecanismo surge após a previsão da ocorrência de chuvas fortes nas províncias de Tete e Zambézia, no centro do país, e Nampula, Cabo Delgado e Niassa, no norte, "agravando a situação prevalecente de cheias e inundações nas zonas baixas das bacias hidrográficas dos rios Montepuez, Megaruma, Muaguine, Rovuma, Monapo e Licungo".

Moçambique é considerado um dos países mais severamente afetados pelas alterações climáticas globais, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, mas também períodos prolongados de seca severa.

O Presidente moçambicano disse, em 18 de dezembro, que pelo menos 313 pessoas morreram, 1.255 ficaram feridas e mais de 1,8 milhões foram afetadas pelos ciclones Chido, Dikeledi e Jude, que atingiram Moçambique na época chuvosa 2024-2025.

Já entre 2019 e 2023, os eventos extremos provocaram pelo menos 1.016 mortos em Moçambique, afetando cerca de 4,9 milhões de pessoas, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística.

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