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Mais um empresário liga Michel Temer a corrupção

Piero Cosulich denuncia alegado esquema em que remodelação de casa de uma filha do presidente brasileiro terá sido paga com 'luvas'.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 12 de Abril de 2018 às 22:18
Michel Temer
Michel Temer
Michel Temer
Michel Temer
O presidente do Brasil, Michel Temer
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Michel Temer
Michel Temer
Michel Temer
Michel Temer
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O presidente do Brasil, Michel Temer
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Michel Temer
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O presidente do Brasil, Michel Temer
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Em entrevista ao jornal "Folha de S. Paulo", um empresário do ramo de materiais de construção reforçou as suspeitas de corrupção do Ministério Público contra o presidente brasileiro, Michel Temer, já alvo de várias investigações. Na entrevista, o empresário Piero Cosulich afirma que os materiais que forneceu para a remodelação da casa de uma das filhas do presidente foram pagos em dinheiro vivo pela mulher de um coronel suspeito de intermediar o recebimento de "luvas" por Temer.

Cosulich declarou que todos os pagamentos dos diversos materiais que forneceu, alguns em valores significativos, foram pagos em espécie pela arquiteta Maria Rita Fratezi, mulher do coronel João Batista Lima, que a Polícia Federal e o Ministério Público acusam de ser "testa de Ferro" de Michel Temer para assuntos comprometedores. Lima, que em 2017 se recusou repetidamente a comparecer à polícia quando foi intimado a depor, chegou a ser preso em 29 de Março passado, junto com outras pessoas muito próximas ao presidente brasileiro, mas foi libertado poucos dias depois.

Enquanto esteve preso, o ex-coronel, alegando problemas de saúde e falta de condições emocionais, recusou responder a qualquer pergunta dos agentes federais e dos procuradores do Ministério Público, tal como a mulher, que não foi detida mas foi chamada a depor e se manteve em silêncio. Terça-feira passada, o MP voltou a pedir a prisão de Lima e dos outros suspeitos, entre eles o advogado José Yunes, outra pessoa apontada como "Testa de Ferro" de Temer, mas o juiz que comanda o caso recusou.

Piero Cosulich, a primeira pessoa ligada à investigação a confirmar publicamente as suspeitas da polícia e do Ministério Público, afirmou ainda que, embora fosse Fratezi quem fazia os avultados pagamentos em dinheiro, os recibos, a que a "Folha" e os investigadores tiveram acesso, eram passados em nome de Maristela Temer, uma das filhas do presidente. A remodelação da casa dela no elegante bairro do Alto de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, foi orçada entre 325 mil e 400 mil euros, que a Polícia Federal e os procuradores dizem terem sido dados a Temer como parte de "luvas" pagas pela JBS, maior produtora mundial de proteína animal.

A entrega desse dinheiro, confirmada em Junho do ano passado pelo dono da JBS, Joesley Batista, foi feita por um alto funcionário da empresa, Florisvaldo Oliveira, que confirmou ter deixado uma mala com 400 mil euros diretamente com o coronel Lima na casa deste. A entrega desse montante ocorreu semanas antes do início das obras de remodelação da casa de Maristela Temer, a cujo custeio supostamente se destinava.

Outro alto executivo do grupo empresarial que controla a JBS, Ricardo Saud, declarou também no ano passado em depoimento colaborativo com a justiça que esses 400 mil euros eram parte de "luvas" de muitos milhões dadas a Temer pela JBS para custeio irregular de campanhas eleitorais do partido do presidente, que, no entanto, segundo Saud, se apropriava de parte do montante para uso pessoal. Por causa das denúncias da JBS Michel Temer foi alvo no ano passado de duas denúncias por corrupção avançadas pela Procuradoria-Geral da República, mas que conseguiu travar no Congresso, que tem a última palavra em processos envolvendo o chefe de Estado, depois de disponibilizar milhares de milhões de euros para obras e projetos de parlamentares.

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