Um dos episódios mais tristes da história de violência da cidade brasileira do Rio de Janeiro, a matança perpretada em Abril numa escola da zona oeste da cidade que ficou conhecida como o “Massacre de Realengo”, vai ser contado em filme. Numa iniciativa de professores e alunos da Universidade Estácio de Sá, também na capital carioca, a história da invasão da escola por um ex-aluno e a matança de 12 adolescentes vai ser mostrada aos brasileiros no cinema provavelmente no ano que vem.
O filme, uma longa-metragem, terá um título igualmente longo, “Wellington, o assassino de sonhos – Tudo o que a vida constrói o ódio destrói”, e as primeiras gravações estão previstas para o final do próximo mês, Outubro. E os principais actores também já estão definidos, são 16 alunos de uma escola municipal de Itaboraí, no subúrbio carioca, a escola Roberta Maria Sodré de Macedo.
Depois de terem sido seleccionados, esses 16 alunos, com idades semelhantes à maioria das vítimas do massacre, que tinham entre 12 e 14 anos, já estão a estudar os textos e as características dos seus personagens. Eles foram inseridos num programa extra-curricular de aulas de teatro, para os ajudar na representação.
Um deles vai ter um papel de grande destaque, pois não interpretará nenhuma das vítimas e sim o próprio assassino. Luis Felipe Gomes, de 13 anos, aluno da Roberta Maria Sodré de Macedo, personificará Wellinton Menezes de Oliveira, o criminoso, que quando tinha a idade dele estudou na escola estadual Tásso da Silveira, no bairro do Realengo, que no dia 7 de Abril deste ano invadiu de armas na mão.
O massacre chocou profundamente o Brasil, onde, não obstante os altos índices de violência, acções como essa não costumam ocorrer, e teve repercussão mundial. Wellington, agora com 23 anos, entrou na escola ao amanhecer desse dia levando na mochila duas armas de fogo e uma enorme quantidade de balas. Ele invadiu salas de aula e, escolhendo friamente os alunos que iam morrer, disparava e voltava a recarregar a arma com toda a tranquilidade, sem se mostrar por um momento sequer irritado, nervoso ou pesaroso.
Quando um polícia que participava numa operação stop ali perto foi chamado por um aluno que conseguiu fugir e feriu e encurralou Wellington numa escada, este suicidou-se com um tiro na cabeça. Mas nessa altura já tinha provocado uma tragédia, que o filme vai tentar retratar, matando 12 alunos e ferindo gravemente outros 13, alguns dos quais ficaram com sequelas para toda a vida.
O atirador deixou inúmeros vídeos e cartas com citações desconexas a textos religiosos e mostrando todos os preparativos do massacre, que insinuou ser uma vingança contra supostas perseguições que sofreu de colegas quando estudou naquela escola. Desprezado até pelos irmãos adoptivos com quem tinha sido criado pelos pais, também adoptivos, já falecidos, Wellington Menezes de Oliveira foi sepultado como mendigo, pois a família recusou-se a reclamar o corpo e a fazer o enterro, que foi pago pelo estado e foi testemunhado apenas pelos dois coveiros.
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