page view

Médico dos bebés roubados em Espanha absolvido

Milhares de bebés foram roubados durante a ditadura franquista e entregues a famílias ligadas ao regime.

09 de outubro de 2018 às 08:58

O médico Eduardo Vela, a primeira pessoa julgada em Espanha pelo caso dos bebés roubados do franquismo, foi esta segunda-feira considerado culpado dos três crimes de que era acusado - detenção ilegal, encenação de parto e falsificação de documentos - mas escapou à prisão porque o juiz considerou que os delitos já prescreveram.

O Tribunal Provincial de Madrid considerou "provado de forma incontestável" que Vela, de 85 anos, entregou em 1969 uma menina recém-nascida ao casal formado por Inés Pérez e Pablo Madrigal Revilla, tendo "simulado a existência de um parto que não se realizou" e "estabelecido uma filiação falsa" para a criança no registo civil, onde foi inscrita com o nome de Inés Madrigal. No entanto, apesar de reconhecer a culpabilidade do médico em todos os crimes, o juiz considerou que os mesmos já prescreveram.

A acusação pedia 11 anos de cadeia para o médico, que foi ginecologista-chefe da clínica San Ramón de Madrid, epicentro do caso dos bebés roubados da ditadura franquista (1939-1975), em que milhares de recém-nascidos foram retirados sem consentimento aos pais - presos políticos, opositores e pessoas de poucos recursos - e entregues a famílias próximas do regime.

O caso foi denunciado por Inés Madrigal, hoje com 49 anos. Apesar de saber desde os 18 anos que era adotada, só em 2010 começou a suspeitar que poderia ser um dos bebés roubados do regime franquista.

Madrigal, que até hoje não sabe a identidade dos verdadeiros pais, já disse que vai recorrer da sentença, uma vez que o juiz contabilizou o prazo de prescrição - 10 anos para o crime de detenção ilegal - a partir da data em que soube que tinha sido adotada e não, como ela pretendia, a partir do momento em que suspeitou ter sido vítima de adoção ilegal, ou seja, em 2010, o que já possibilitaria a a condenação do médico.

SAIBA MAIS 

30 mil

recém-nascidos terão sido ilegalmente retirados aos pais durante a ditadura franquista (1939-1975) e entregues a famílias próximas do regime para adoção. Registos eram falsificados para fazer passar as crianças por filhos legítimos dos casais adotantes.

Famílias "incapazes"

Na sua maioria, os bebés roubados foram ilegalmente retirados a famílias consideradas "incapazes" pelo regime, incluindo opositores comunistas, presos políticos ou pessoas com poucos recursos.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Exclusivos

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8