O governador do estado norte-americano da Virgínia comutou a pena capital de um assassino cuja execução estava marcada para ontem, naquela que seria a milésima execução realizada nos EUA após a reintrodução da pena de morte em 1976.
A decisão não serve, porém, de grande consolo para os oponentes da pena de morte, uma vez que a histórica marca deverá ser atingida ainda antes do final da semana. Robin Lovitt foi condenado à morte em 1999 pelo assassinato do dono de um salão de bilhar durante um assalto.
Na passada terça-feira, foi salvo pelo governador Mark Warner, que decidiu comutar-lhe a pena para prisão perpétua devido a um erro de um funcionário do Tribunal, que em 2001 destruiu todas as provas relacionadas com o caso, incluindo a arma do crime, uma tesoura, impedindo desta forma o condenado de recorrer da sentença com base em análises de ADN realizadas com métodos mais modernos.
O advogado de defesa do condenado, Kenneth Starr – mais conhecido por ter sido o procurador independente que acusou o ex-presidente Bill Clinton no caso Lewinsky – saudou a decisão do governador, ao contrário da família da vítima, cujo porta-voz afirmou tratar-se de um “rude golpe”. Foi a primeira vez em quatro anos que o governador da Virgínia foi sensível aos apelos para perdoar condenados, ao que não será porventura alheia a grande mediatização que o caso está a ter por se tratar da milésima execução desde a reintrodução da pena de morte.
CANDIDATO À CASA BRANCA
Warner, visto como um possível candidato à nomeação democrata para a corrida à Casa Branca em 2008, não terá querido ficar ligado a esta tristemente histórica marca. “Este foi o caso a que dediquei mais tempo, sobre o qual mais ponderei e rezei. É preciso ter a certeza de que de cada vez que aplicamos a pena capital o fazemos de forma justa”, afirmou Warner, que nos onze casos anteriores que analisou sempre havia rejeitado os pedidos de clemência.
A batata quente passou agora para as mãos do governador da Carolina do Norte, estado onde está marcada para amanhã a próxima execução. Salvo um perdão de última hora, Kenneth Boyd, condenado por assassínio, será a milésima vítima da pena de morte nos EUA.
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