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Milhares de pessoas manifestam-se na Grécia

Milhares de pessoas manifestaram-se esta quarta-feira em várias cidades da Grécia, num dia de greve geral de protesto contra uma nova série de medidas de austeridade. Só nas cidades de Atenas e Tessalónica estiveram mais de 30 mil pessoas.

26 de setembro de 2012 às 13:01

A greve geral, a primeira desde que o actual governo tomou posse, em Junho, obrigou à suspensão de voos e das ligações ferroviárias e marítimas e encerrou todos os serviços públicos, incluindo os museus.

O protesto mobilizou trabalhadores dos sectores público e do privado, estudantes e pensionistas.

"Estamos aqui para lutar pelo nosso futuro", disse à France Presse Anastasia Teloni, uma estudante de Direito de 20 anos. "A menos que aconteça alguma coisa em grande, vai-me ser difícil encontrar trabalho e ter uma vida respeitável".

"Há dois a três anos que vivemos uma catástrofe social incrível", disse Ilias Loizos, um funcionário municipal de 56 anos. "O meu salário foi reduzido 50 por cento. Tenho dois filhos e, amanhã, não sei se vou ter emprego".

A greve geral é a terceira deste ano, mas a primeira a testar a coligação de governo que tomou posse em Junho e que precisa de fazer cortes de 11,5 mil milhões de euros para que os credores internacionais desbloqueiem mais uma prestação do empréstimo.

O novo pacote de medidas, que inclui um aumento de impostos, deverá ser votado já no início de Outubro. Fonte do Ministério das Finanças disse que o pacote já foi aprovado pelo primeiro-ministro, Antonis Samaras, e aguarda apenas a aprovação dos parceiros de coligação.

Os novos cortes vão afectar milhares de funcionários públicos, que ao longo dos últimos dois anos já sofreram reduções de salário de 40 por cento.

A idade da reforma também deverá ser aumentada dos 65 para os 67, apenas dois anos depois do último aumento.

As medidas de austeridade destinam-se a desbloquear uma prestação de 31,5 mil milhões, parte do enorme empréstimo concedido à Grécia pela chamada 'troika' -- Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional.

Para os sindicatos, o país poderá ser obrigado a pedir um novo empréstimo, porque as medidas de austeridade provocaram uma taxa de desemprego recorde e uma profunda recessão económica, que vai no quinto ano consecutivo.

"Os salários, as pensões e os benefícios foram cortados repetidamente nos últimos dois anos e meio e o 'monstro' da dívida e do défice continua invencível, exigindo constantemente novos sacrifícios", afirmam em comunicado as duas grandes centrais sindicais, GSEE e ADEDY.

"SOS -- salvem o país, mas acima de tudo o povo", lê-se em faixas colocadas pelas ruas da capital.

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