O furacão ‘Félix’ abateu-se ontem com intensidade máxima sobre a Nicarágua, mas perdeu força pouco depois, passando rapidamente da categoria 5 para a categoria 2.
Apesar de ter perdido intensidade, temia-se que pudesse provocar inundações e deslizamentos de terras em vários países da América Central, onde milhares de pessoas foram evacuadas das zonas mais expostas à fúria do furacão.
A tempestade tocou terra junto à localidade de Puerto Cabezas, no norte da Nicarágua, com ventos de velocidade superior a 210 quilómetros por hora, arrancando árvores e telhados de habitações e matando pelo menos quatro pessoas.
Pouco depois, no entanto, a tempestade perdeu força e passou a categoria 2, menos destrutivo mas mesmo assim preocupante, uma vez que se trata de uma zona muito vulnerável a inundações e deslizamentos de terras. Na memória de todos está ainda a passagem do furacão ‘Mit-ch’, que em 1998 matou mais de dez mil pessoas na região.
Por essa razão, as autoridades da Nicarágua e da vizinha Honduras não facilitaram e ordenaram a evacuação de mais de 12 mil pessoas, na sua maioria indígenas Milikos, que vivem em frágeis habitações de madeira. A zona atingida pelo furacão é uma área pouco povoada, sem estâncias turísticas ou estruturas económicas importantes.
O Exército foi mobilizado para ajudar as evacuações e as pessoas que não quiseram sair foram alojadas em escolas e abrigos de emergência. Nas Honduras, mais de 70 mil pessoas foram alojadas em abrigos.
Os meteorologistas prevêem que o ‘Félix’ perca ainda mais intensidade nas próximas horas e acabe por se dissipar antes do final do dia, sem chegar a atingir o Golfo do México, como inicialmente previsto. A salvo parecem estar também as estâncias turísticas da Península do Iucatão, duramente fustigadas pelo furacão ‘Dean’ em Agosto.
Entretanto, no Pacífico, o furacão ‘Henriette’, de categoria 1, aproximava-se ontem da região de Los Cabos, na Baja Califórnia, com ventos de 120 quilómetros por hora, depois de ter vitimado seis pessoas quando atingiu no início da semana a região turística de Acapulco, ainda como tempestade tropical.
CONSULADOS DE PREVENÇÃO
Os cônsules honorários de Portugal nas Honduras e na Nicarágua foram colocados de prevenção “por precaução”, uma vez que residem muito poucos portugueses naqueles países – 14 nas Honduras e 26 na Nicarágua.
Apesar disso foram accionados dois números de emergência para informações, que são o 00504-99856217 (Honduras) e 00505-9970737 (Nicarágua).
Por outro lado, trata-se de uma zona para a qual não viajam muitos turistas portugueses. Segundo José Manuel Antunes, do operador Mundo Vip, os turistas mais próximos estão no México, a mais de mil quilómetros do trajecto previsto do furacão.
“Ao contrário do que inicialmente se receou, o furacão está a afastar-se da Península do Iucatão e, como tal, não deverá atingir as áreas onde se encontram os turistas portugueses”, afirmou ao Correio da Manhã.
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