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Correio da Manhã

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Golpe de Estado falhado na Turquia

Pelo menos 265 mortos e mais de 1500 detidos.
Catarina Correia Rocha,Daniela Lapo e Rodrigo Querido 15 de Julho de 2016 às 21:06
Aviões militares sobrevoam Ancara.
As forças leais ao Presidente turco, Recep Erdogan, abateram mais de 100 militares revoltosos na tentativa de golpe de Estado de sexta-feira à noite na Turquia, assegurando que outros 1.563 foram detidos. Entretanto, no Twitter, o Presidente turco apelou à população para se manter nas ruas, para precaver uma eventual onda de violência. O golpe fez pelo menos 265 mortos e mais de 1100 feridos, entre militares e civis.

Polícia detém 10 magistrados da cúpula judicial
A polícia turca prendeu 10 juízes do Danistay, um dos órgãos supremos da Judicatura da Turquia e a autoridade máxima para contenciosos administrativos, indicou a agência noticiosa pró-governamental Anadolu.

A polícia anda à procura de 38 outros magistrados do Danistay, acrescentou, por seu lado, a cadeia privada de televisão NTV, no quadro de um mandado de captura emanado das autoridades presidenciais contra 140 juízes do Supremo Tribunal, também conhecido por Yargitay.

Em declarações à NTV, o presidente do Yargitay, Ismail Rustu Çirit, prometeu "castigar todos os traidores". A medida ocorre horas após as autoridades turcas terem abortado uma tentativa de golpe de Estado e depois de a Junta Superior de Juízes e Fiscais ter destituído 2.745 magistrados.

Helicóptero capturado

Um helicóptero militar turco foi apanhado na Grécia, segundo o Ministério de Segurança grego. Dentro do aparelho seguiam 8 pessoas que terão pedido asilo político.

O helicóptero Black Hawk pousou depois de enviar um sinal de socorro às autoridades no aeroporto de Alexandroupolis, no norte da Grécia. 


A Turquia já pediu a extradição dos oito militares revoltosos que fugiram para a Grécia num helicóptero, anunciou o ministro dos Negócios Estrangeiros turco a uma estação televisiva.

"Pedimos à Grécia para extraditar os oito traidores o mais rápido possível", disse o chefe da diplomacia turca, Mevlut Cavusoglu, à estação televisiva HaberTurk.

PM turco agradece apoio de "heróis nacionais"
O primeiro-ministro turco agradeceu o trabalho dos serviços de segurança especiais leais ao governo, na sequência da tentativa de golpe de Estado levado a cabo por uma fração do exército.

Numa declaração ao país, Binali Yildirim afirmou que estes "incidentes mostram que o povo turco gosta da democracia e que a estabilidade governamental é muito importante para o nosso país". 



O Governo turco afirmou que já controla a capital Ancara. O primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, diz que a situação está "praticamente sob controlo", refere a Reuters. Apesar disso, o exército ainda não emitiu uma declaração em que assume uma derrota. 
O Presidente da Turquia afirmou que continua no poder, assim como o Governo, depois da rendição, em Istambul, de uma unidade do exército. 

Recep Tayyip Erdogan, falava no aeroporto de Istambul, onde aterrou esta madrugada vindo de uma instância balnear onde estava de férias, disse que as Forças Armadas não controlam nem controlarão o poder no país.

O Presidente turco garantiu ainda que a tentativa de golpe de Estado é como um "presente de Deus" que permitirá "limpar" o Exército.

O Erdogan culpou pelo golpe de Estado, que definiu de "traição", os apoiantes do seu arqui-inimigo, Fethullah Gülen, um imã exilado há anos nos Estados Unidos. O movimento que apoia Gülen (Hizmet) e o próprio Fethullah Gülen já condenaram o golpe em dois comunicados nas últimas horas.

O Governo e os serviços secretos dão há horas a tentativa de golpe como fracassada, embora admitindo que permanecem bolsas de resistência.

De acordo com o primeiro-ministro, dos confrontos na noite de sexta-feira resultaram 265 mortos e mais de 1000 ficaram feridas por todo o país.

"Caíram como mártires", sublinhou o general Umit Dundar, chefe do Estado-Maior interino das tropas leais a Erdogan.

Fontes não identificadas citadas pela AFP referem que um total de 1563 militares foram detidos por estarem ligados à tentativa de golpe de Estado.

Além disso, cinco generais e 29 coronéis foram demitidos das suas funções na sequência de uma ordem do ministro do Interior, Efkan Ala, de acordo com a agência pró-governamental.

Televisão pública volta a emitir
A televisão pública turca TRT voltou esta noite (01h00 de Lisboa) a emitir normalmente, depois de os soldados que a tinham tomado terem abandonado o local.

A apresentadora de televisão da TRT, que há algumas horas tinha lido um comunicado a anunciar a tomado do poder por parte do exército, anunciou que foi forçada a faze-lo pelos soldados que ocuparam a emissora.

Imagens transmitidas pela televisão mostraram centenas de pessoas a celebrar a saída dos soldados.

A televisão CNNTurk anunciou entretanto que o Presidente do país, Recep Erdogan, já chegou ao aeroporto de Istambul.



Já depois de aterrar em Istambul, o Presidente turco garantiu que nenhum poder está acima da vontade nacional e que os que estiveram envolvidos na tentativa de golpe vão ter a sua resposta.

"O golpe foi desencadeado por uma minoria dentro dos militares que não aguentam a unidade do país", afirmou Erdogan, considerando a tentativa de golpe "um ato de traição".

"Os responsáveis vão pagar um preço elevado", afirmou.




Apesar de as informações chegadas da Turquia darem conta de que o golpe poderá estar prestes a falhar, os militares revoltosos invadiram os estúdios da CNN Turk e o jornal Hurriyet.


Testemunhas revelam que duas explosões atingiram o Parlamento turco, em Ancara. Os deputados estão em abrigos no interior do edifício.




Vários responsáveis pelo golpe de Estado detidos
Segundo o chefe de Executivo, vários líderes militares que foram responsáveis pela tentativa de golpe de Estado terão sido detidos.

De acordo com a agência Anadolu, o antigo oficial e conselheiro do Estado-maior recentemente retirado das suas funções, Muharrem Kose, terá sido o cérebro da tentativa de golpe.

Já Yildirim diz que os responsáveis pela tentativa de golpe são do movimento "gulenista", apoiantes de Fethullah Gülen, segundo a Reuters.

Ex-aliado do presidente Recep Tayyip Erdogan, que vive no autoexílio nos EUA desde 1999, foi acusado em 2013 pelo então primeiro-ministro de estar por detrás das investigações de corrupção que ameaçaram seu governo.

Uma organização sediada nos EUA, próxima de Güllen, nega esta informação.

O ministro do Interior, Efkan Ala, diz que alguns destacamentos militares estiveram a ajudar a polícia, pelo que nem todos os soldados que estão nas ruas estão do lado dos golpistas.

Pelo menos dezassete polícias morreram durante o golpe de estado na Turquia levado a cabo pelos militares, avança a
 AFP. Outros seis civis morreram e cem outros ficaram feridos em Istambul.



Segundo a emissora CNNTürk, no Hospital Haydarpasa Numune foram contabilizados pelo menos seis mortos e aproximadamente uma centena de feridos.

Os meios de comunicação social turcos indicaram que militares dispararam contra a multidão que protestava contra a intentona e tentava atravessar uma das pontes que unem a parte asiática da cidade à europeia, e que havia sido tomada pelos golpistas.

Foram ainda contabilizados pelo menos 12 feridos, incluindo dois em estado grave, na sequência do bombardeamento do parlamento turco, em Ancara, por parte dos rebeldes.

Também na capital foram mortos 17 polícias numa explosão na sede das forças especiais.

Além disso, a emissora pública TRT assegura que cinco militares golpistas que participaram na ocupação da sua sede foram neutralizados por um grupo de civis.

A agência Reuters adianta ainda que um helicóptero de militares golpistas foi abatido por F-16 do Governo turco.

O Exército turco abriu fogo contra os apoiantes de Recep Tayyip Erdogan, presidente da Turquia. Os militares cercaram o parlamento com tanques e começaram a disparar sobre o povo.

O Exército turco afirmou, em comunicado de imprensa, que tomou o poder em todo o país. "O Exército assumiu totalmente o poder para restaurar a democracia. Todos os nossos acordos internacionais estão em vigor. Esperamos manter as boas relações com todos os países", refere, no comunicado, o Estado-Maior do Exército.

Os militares revoltosos, com veículos pesados, bloquearam as duas pontes sobre o Bósforo, em Istambul. Esta situação acontece na mesma altura em que foram ouvidos vários tiros em Ancara, com aviões militares e helicópteros a sobrevoar a cidade a baixo nível de altitude. Os militares já declararam a lei marcial e o recolher obrigatório.

"Não vamos permitir que se degrade a ordem pública na Turquia. Um recolher obrigatório é imposto no país até nova ordem", especifica o comunicado, assinado pelo "Conselho da paz do país", que diz que tomou o poder.

A agência Anadolu noticia que o chefe de Estado-Maior, general Hulusi Akar, foi feito refém por um grupo de soldados.

Testemunhos dizem que os helicópteros militares abriram fogo sobre Ancara e que foram ouvidas fortes explosões. Há registo ainda de tiros no aeroporto Ataturk.


Exército classifica Erdogan como traidor
O exército turco classificou o presidente turco, o islamista Recep Tayyip Erdogan, como um "traidor" e acusou-o de ter estabelecido um "regime autoritário de medo", depois de terem anunciado que tinham tomado o poder e estabelecido a lei marcial.

Em comunicado lido na televisão turca TRT, o exército turco assegura que o país será governado por uma denominado "conselho de paz do país" para dar "a todos os cidadãos, todos os direito e estabelecer a ordem constitucional".

Sob as ordens de Erdogan, "todas as instituições do estado começam a ser desenhadas com propósito ideológico e o império da Lei secular foi, de facto, eliminado", prossegue o comunicado.

O exército turco ordenou a todas as emissoras que emitissem a mesma informação, na qual afirma que "o poder político perdeu a sua legitimidade e foi derrubado e (os seus responsáveis) serão processados".


Os meios de comunicação dão conta de tanques militares destacados na zona exterior do aeroporto Ataturk, em Istambul, que já cancelou todos os voos.

Forças Armadas condenam ataque
As forças armadas da Turquia afirmaram que não toleram o golpe contra o governo. O comandante das forças especiais, Zekai Aksakalli, acrescenta que a tentativa de golpe não terá sucesso e que suas forças especiais estão ao serviço do povo. 

Já o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, disse esta noite que é "uma minoria dentro do exército" quem está a protagonizar a tentativa de golpe de Estado e pediu aos turcos para que resistam nas ruas.

O Presidente, que falou por Facetime para o canal de notícias CNN-Turk, disse estar absolutamente convencido de que o golpe fracassaria.

O primeiro-ministro da Turquia já afirmou numa comunicação ao país que se trata de uma "ação ilegal" de tentativa de golpe de Estado, levada a cabo por uma fação militar. "Os responsáveis pelo golpe irão pagar um preço muito elevado", garantiu Binali Yildirim.

Yildirim acrescenta que "o governo eleito pelo povo permanece no cargo. Só sairá quando o povo o decidir".

Também o Presidente dos Estados Unidos da América, Barack Obama, diz que urge apoiar o governo democraticamente eleito.





A praça Taksim, em Istambul, palco de manifestações na maior cidade turca, enche-se de pessoas no que parece ser a resposta positiva ao apelo do chefe de Estado do país.

Nas redes sociais já circulam videos que mostram os aviões miliatares a sobrevoar a cidade de Ancara:













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