Mais de 7500 detidos após a tentativa de Golpe de Estado.
Oito militares turcos que fugiram para a Grécia de helicóptero depois do atentado fracassado serão julgados na quinta-feira no tribunal de Alexandrópolis (nordeste da Grécia) por entrada ilegal no país e violação do espaço aéreo.
Os militares, dois oficiais superiores, dois capitães e dois sargentos, conseguiram um adiamento por três dias do julgamento, depois de comparecerem hoje perante o tribunal de Alexandrópolis, disse a mesma fonte judicial não identificada à agência France Presse.
Os oito militares aterraram de helicóptero no aeroporto de Alexandrópolis no passado sábado depois de terem enviado um sinal de socorro às autoridades aeroportuárias da cidade grega, situada junto à fronteira com a Turquia, a cerca de 300 quilómetros de Istambul.
Os militares turcos foram de imediato detidos e colocados em prisão preventiva.
A advogada dos militares, Ilia Marinaki, fez saber que irão pedir asilo à Grécia, alegando que não fizeram parte na tentativa de golpe de Estado e que fugiram para o país vizinho quando foram alvejados pela polícia.
Os oito militares -- todos casados e com idades em torno dos quarenta anos -- temem pela própria vida e pela vida dos seus familiares, ainda segundo a sua advogada.
O ministro turco dos Negócios Estrangeiros, Mevlut Cavusoglu, anunciou que Ancara pediu a extradição dos oito homens.
De acordo com fontes governamentais gregas não identificadas, o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, falou no passado sábado pelo telefone com o primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras.
Erdogan terá agradecido a posição de Tsipras durante a tentativa de golpe de Estado e o primeiro-ministro grego terá manifestado o apoio ao Governo turco, "eleito democraticamente", de acordo com as mesmas fontes.
Segundo a agência grega ANA, o chefe do Governo grego disse a Erdogan que o procedimento para os solicitadores de asilo seria rápido, mas de acordo com o direito internacional e os direitos humanos.
No domingo de manhã, a força aérea turca recuperou o helicóptero Black Hawk, utilizado na fuga pelos oito militares.
A Turquia foi alvo de uma tentativa de golpe de Estado na sexta-feira à noite, mas o Presidente e o Governo recuperaram o controlo do país no sábado.
O último balanço do governo turco aponta para 308 mortos entre revoltosos (100) e civis e forças leais a Erdogan (190)
Segundo o primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, mais de 7.500 pessoas foram detidas no âmbito do inquérito à tentativa de golpe de Estado na Turquia, incluindo 6.038 militares, 755 magistrados e 100 agentes da polícia.
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