page view

Primeiro-ministro cabo-verdiano acusado de 14 crimes enquanto autarca

Na lista estão cinco crimes de falsificação de documentos públicos, cinco crimes de abuso de poder, três de peculato, outros três de recebimento indevido de vantagem e três crimes de violação de norma de execução orçamental.

Atualizado a 14 de julho de 2026 às 22:27

O Ministério Público (MP) acusa o primeiro-ministro de Cabo Verde, Francisco Carvalho, de 26 crimes alegadamente praticados quando presidia à Câmara da Praia, desde 2020 até este ano, segundo o documento a que a Lusa teve esta terça-feira acesso.

Na lista estão cinco crimes de falsificação de documentos públicos, cinco crimes de abuso de poder, três de peculato, outros três de recebimento indevido de vantagem e três crimes de violação de norma de execução orçamental.

Há ainda três crimes de atentado contra o Estado de Direito e um crime de cada um dos seguintes tipos: corrupção passiva, burla qualificada, violação de regras urbanísticas e defraudação de interesses patrimoniais públicos.

PGR cabo-verdiana confirma acusação

A Procuradoria-Geral da República cabo-verdiana confirmou esta terça-feira, após "as notificações devidas", que o Ministério Público acusou o primeiro-ministro, Francisco Carvalho, de 26 crimes, alegadamente praticados quando presidia à Câmara da Praia, e três vereadores desta.

Confirmando o teor da acusação consultada pela Lusa, o Departamento Central de Ação Penal da PGR detalhou em comunicado que teve a seu cargo "os autos de instrução registados na sequência de um relatório da Inspeção Geral das Finanças e de várias investigações" sobre factos ocorridos na autarquia desde 2020.

"O Ministério Público determinou o encerramento da instrução, no dia 07 de julho, deduziu acusação e requereu julgamento em processo comum ordinário, perante o Tribunal da Relação do Sotavento, em coletivo", indicou.

Em causa está "a responsabilidade criminal de quatro arguidos": Francisco Carvalho, então presidente da Câmara da Praia, e três vereadores (Fernando Pinto, Kyrha Varela e Jorge Garcia), "por estarem fortemente indiciados da prática de ilícitos criminais".

A cada um são imputados cinco crimes de falsificação de documentos públicos, cinco crimes de abuso de poder, três de peculato, outros três de recebimento indevido de vantagem e três crimes de violação de norma de execução orçamental.

Há ainda três crimes de atentado contra o Estado de Direito e um crime de cada um dos seguintes tipos: corrupção passiva, burla qualificada, violação de regras urbanísticas e defraudação de interesses patrimoniais públicos; a cada um dos três vereadores acresce mais um crime por burla qualificada.

A PGR confirmou ainda que será proferida acusação autónoma "relativamente a outros arguidos, singulares e coletivos, os quais deverão ser submetidos a julgamento perante tribunal judicial de primeira instância".

O MP deduziu ainda "pedido de indemnização civil, em representação do Estado de Cabo Verde e do Município da Praia, requerendo a condenação solidária dos quatro arguidos" no pagamento da quantia global de cerca 40,8 milhões de escudos (cerca de 370 mil euros).

A Lusa tentou obter reações do gabinete do primeiro-ministro e do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV), mas ainda não obteve resposta.

Francisco Carvalho tem afirmado que a investigação tem motivações políticas.

Após buscas realizadas na Câmara Municipal da Praia, em dezembro de 2025, Carvalho acusou a justiça de estar "politizada" e negou ter cometido as infrações que lhe eram atribuídas.

Na altura, o procurador-geral da República, Luís Landim, refutou as acusações, afirmando que "todos estão sob a lei, seja quem for, qualquer [que seja o] cargo que exerçam".

Francisco Carvalho conquistou o município em 2020 e foi reeleito em 2024, tendo renunciado ao mandato em junho para assumir o cargo de primeiro-ministro, após a vitória do PAICV, que lidera, nas eleições legislativas de 17 de maio.

Publicada originalmente a 14 de julho de 2026 às 16:54

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Boa Tarde

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8