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Ministério Público pede gravações de avião que caiu com juiz da Lava Jato

Teori Zavascki está entre as vítimas mortais deste acidente aéreo.

20 de janeiro de 2017 às 20:28

O Ministério Público brasileiro pediu à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) as gravações das conversas entre a torre de controlo e o piloto do avião que caiu na quinta-feira, matando o juiz responsável pela investigação da Lava Jato.

O juiz brasileiro Teori Zavascki era relator da Operação Lava Jato, que investiga os crimes de corrupção na Petrobras, no Supremo Tribunal Federal (STF).

O pedido foi feito pela procuradora Cristina Nascimento de Melo, responsável pela investigação do MPF, e estendeu-se também ao Comando da Aeronáutica. A responsável pediu ainda documentos relativos à manutenção da aeronave.

O Centro de Comunicação Social da Aeronáutica informou que a caixa negra da aeronave já foi encontrada. O equipamento, com as gravações de voz, será encaminhado para a representação do Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa) em Brasília.

O avião em que Teori Zavascki viajava havia saído na última quinta-feira do Campo de Marte, em São Paulo, às 13h01 (15h01 em Lisboa) com destino a Paraty, no sul do Rio de Janeiro, mas caiu no mar.

Além do juiz, morreram no acidente o empresário Carlos Alberto Fernandes Filgueira, o piloto da aeronave Osmar Rodrigues, a massoterapeuta Maira Ilda e a mãe desta.

Teori Zavascki foi considerado uma figura central nestas investigações de corrupção, já que tinha a responsabilidade de homologar as delações premiadas (fornecimento de informações importantes em troca da redução da pena) fornecidas pelos envolvidos nos processos no STF.

Antes do acidente, o juiz trabalhava nas informações colhidas em delações premiadas de mais de 70 quadros de topo da construtora Odebrecht, consideradas cruciais já que informações vazadas à imprensa sobre as revelações já envolveram o próprio Michel Temer, o ex-Presidente Lula da Silva e dezenas de políticos brasileiros.

Com a morte do juiz é provável que ocorra alguma mudança no calendário da Lava Jato, porque o próximo passo é o da homologação da delação premiada da Odebrecht - prevista para os primeiros dias de fevereiro -, que pode sofrer algum atraso até que seja designado um novo relator para tratar dos processos contra políticos no STF.

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