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Ministro iraniano diz que o país está "pronto para negociações", mas também "totalmente preparado para a guerra"

Protestos já fizeram mais de 500 vítimas mortais e Trump ameaçou atacar o país.

12 de janeiro de 2026 às 12:31

Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores do Irão, afirmou esta segunda-feira que o país "não quer entrar em guerra, mas está totalmente preparado para ela".

O governante, contudo, referiu que o Irão também está "pronto para negociações", mas deixou algumas condições: "Devem ser justas, com igualdade de direitos e baseadas no respeito mútuo.”

Araghchi acrescentou que o Irão está agora "mais preparado" do que durante a guerra de 12 dias com Israel em junho (quando mais de mil pessoas foram mortas), e adiantou que os protestos estão "sob controlo total" após o aumento da violência no fim de semana.   

Estas declarações surgem no seguimento das ameaças deixadas por Donald Trump, de que os Estados Unidos poderiam atacar o Irão com ciberataques e ataques diretos dos EUA ou de Israel. O presidente americano afirmou que o seu governo estava em negociações para agendar uma reunião com Teerão, mas alertou durante a noite que os EUA "podem ter que agir antes".

O porta-voz do ministério das Relações Exteriores do Irão, Esmaeil Baghaei, afirmou entretanto que os canais de comunicação com os EUA permanecem abertos, enquanto o governo de Trump continua a avaliar a possibilidade de ataques militares.

“Este canal de comunicação entre o nosso ministro dos Negócios Estrangeiros [Abbas Araghchi] e o enviado especial do presidente dos Estados Unidos está aberto”, disse Baghaei, numa aparente referência a Steve Witkoff.

“As mensagens são trocadas sempre que necessário”, acrescentou, revelando que, embora os EUA não tenham presença diplomática no Irão, os seus interesses são representados pela embaixada da Suíça.

Baghaei afirmou ainda que o Irão nunca abandonou a mesa de negociações e permanece comprometido com a diplomacia, mas avisou que as conversas devem ser “baseadas na aceitação de interesses e preocupações mútuas, e não numa negociação unilateral e baseada em imposições”.

O número de mortes nos protestos do Irão, de acordo com a última contabilidade, já ultrapassou os 500, a grande maioria manifestantes.

As manifestações começaram em dezembro e inicialmente tiveram como pretexto a situação económica do país, mas a subida de tom ao longo das últimas semanas tem aumentado a pressão sobre o regime do Ayatollah Ali Khamenei e levado vários observadores a questionar se poderão influenciar o futuro político do Irão.

Além dos mortos, as autoridades iranianas terão ainda detido mais de 10 mil pessoas envolvidas nas manifestações. As autoridades impuseram ainda um bloqueio total no acesso à internet e à rede móvel, a fim de tentar controlar os protestos.

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