Luís Montenegro falava na conferência de imprensa conjunta da 36.ª Cimeira Luso-espanhola, ao lado do chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, defendeu que Portugal e Espanha têm de ser "um bloco coeso", avisando os restantes parceiros do Conselho Europeu que "não há uma Europa competitiva sem coesão territorial e sem coesão social".
Luís Montenegro falava na conferência de imprensa conjunta da 36.ª Cimeira Luso-espanhola, ao lado do chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez, que decorreu hoje de manhã em Huelva (Espanha) e teve como tema central a segurança climática.
Na sua declaração inicial, o primeiro-ministro português voltou a criticar o adiar do processo de concretização das interligações elétricas da Península Ibérica ao centro da Europa, que classificou como "insustentável".
"Se nós não formos capazes de fazer na Europa o cumprimento dos compromissos que estabelecemos entre nós, estamos, simultaneamente, a penalizar a nossa capacidade de crescimento e a dar um sinal aos nossos concorrentes de que não somos capazes de nos entendermos dentro do nosso perímetro", disse.
Num outro recado aos parceiros da União Europeia, Montenegro defendeu que Portugal e Espanha têm de se apresentar cada vez mais como "um bloco coeso, um bloco que é competitivo porque é coeso"
"E é um recado que daqui enviamos aos nossos colegas que se sentam à mesa do Conselho Europeu e às instituições europeias. Não há uma Europa competitiva sem coesão territorial e sem coesão social", disse, avisando que a União Europeia "não o pode esquecer" quando desenvolver o próximo quadro financeiro plurianual da União Europeia.
Depois de lembrar que Portugal e Espanha têm processos simultâneos de democratização e adesão à União Europeia, Pedro Sánchez defendeu que os dois países são "um exemplo de vanguarda no compromisso europeu", e reforçou que têm desafios comuns e devem "trabalhar juntos", referindo-se, tal como Montenegro, entre outros temas, às negociações do próximo orçamento plurianual comunitário.
Sobre as conclusões da 36.ª cimeira, Montenegro salientou que os dois países têm "uma agenda partilhada, uma ambição comum e um caminho para o futuro".
"Foi e é uma cooperação absolutamente imperiosa para enfrentar fenómenos como os incêndios florestais ou as tempestades com precipitação elevada e ventos fortes como tivemos recentemente", disse.
O primeiro-ministro português sublinhou que, quer ele quer Pedro Sánchez, têm como preocupação comum "a necessidade de enfrentar de facto as alterações climáticas e os seus efeitos".
"Nenhum de nós é capaz de negar em Portugal e em Espanha, nos respetivos governos, esses impactos e essas necessidades", assegurou.
Montenegro sublinhou que "para o Governo de Portugal a segurança climática não é nem de esquerda nem de direita nem de progressismo nem de conservadorismo".
"Para nós é uma imposição da nossa responsabilidade com os nossos cidadãos hoje e com aqueles que aqui estarão a seguir a nós e é também uma imposição da competitividade da economia europeia, da autonomia estratégica, nomeadamente do ponto de vista energético, e da conciliação que é preciso fazer entre os valores ambientais e os valores económicos", disse.
Sobre a agenda comum dos dois países, Montenegro salientou os 12 instrumentos bilaterais hoje assinados -- dez acordos e dois planos de ação.
Um dos mais importantes acordos hoje assinados prevê que Portugal e Espanha vão desenvolver sistemas de aviso à população focados nas zonas transfronteiriças para cenários de risco como inundações ou rutura de barragens.
Outro dos acordos prevê que os Governos de Portugal e Espanha criem o Fórum Estratégico Luso-Espanhol para uma Maior Competitividade, com duas reuniões ministeriais por ano, com a primeira sessão a realizar-se ainda no primeiro semestre de 2026.
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