A queniana Wangari Maathai, distinguida com o Prémio Nobel da Paz em 2004, pelo seu trabalho em nome do desenvolvimento sustentável, paz e democracia, morreu este domingo, aos 71 anos, vítima de cancro.
A notícia foi avançada pelo movimento Green Belt (Corredor Verde), do qual foi fundadora. “É com tristeza que a família da professora Wangari Maathai anunciou a sua morte após uma batalha longa e corajosa contra o cancro”, lê-se numa mensagem publicada no site do movimento da primeira africana a ser laureada com o Prémio Nobel da Paz.
Conhecida na luta pela defesa do ambiente, dos direitos humanos e da liberdade política, em 2004 viu a Academia Nobel distingui-la pela sua contribuição para o “desenvolvimento duradouro, que engloba a democracia, os direitos humanos e em particular os da mulher”.
A queniana, divorciada e mãe de três filhos, foi sempre descrita como tendo uma personalidade muito forte e uma grande energia, o que lhe permitiu ser pioneira em África na luta pelo Ambiente, pelos direitos humanos e pela liberdade política.
Wangari Maathai nasceu em Abril de 1940 em Nyeri, no centro do Quénia, tendo sido das poucas crianças naquela época a beneficiar do acesso à educação por insistência do seu irmão mais velho que a inscreveu numa escola católica. Nos anos 60 conseguiu uma bolsa norte-americana que lhe permitiu estudar Biologia no Kansas, tendo depois regressado ao seu país onde foi militante do Conselho Nacional de Mulheres do Quénia na luta pelos direitos das suas concidadãs e onde incitou à plantação de árvores para satisfação das necessidades internas sem danificar mais o Ambiente.
Em 1977 criou o movimento Green Belt, no Quénia, no âmbito do qual as comunidades locais criam viveiros e plantam árvores em terrenos públicos, zonas florestais degradadas ou em propriedades privadas. Este movimento já plantou mais de 45 milhões de árvores no Quénia para aumentar o coberto florestal do país e restaurar ecossistemas vitais. Em 1987, a ideia já tinha ultrapassado as fronteiras do Quénia, através da Rede Pan-Africana de Corredores Verdes que se estende por países como a Tanzânia, Uganda, Etiópia, Zimbabwe, Lesoto.
Maathai dirigiu, ainda, a Cruz Vermelha queniana nos anos 70 e dedicou-se igualmente a combater o regime autoritário do presidente do Quénia naquela época, Daniel Arap Moi – um percurso que fez com que tivesse tido vários incidentes com as forças de segurança e algumas passagens pela prisão. Com a eleição de Mwai Kibaki em 2002, assumiu a pasta de secretária de Estado do Ambiente entre 2003 e 2005.
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