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"Nataria Portuguesa" faz sucesso com primeiro pastel de nata na Argentina

Até o final do século XIX, metade das famílias em Buenos Aires era de origem portuguesa.
Lusa 23 de Fevereiro de 2019 às 08:16
'Nataria Portuguesa', em Buenos Aires, Argentina
'Nataria Portuguesa', em Buenos Aires, Argentina
'Nataria Portuguesa', em Buenos Aires, Argentina
'Nataria Portuguesa', em Buenos Aires, Argentina
'Nataria Portuguesa', em Buenos Aires, Argentina
'Nataria Portuguesa', em Buenos Aires, Argentina
'Nataria Portuguesa', em Buenos Aires, Argentina
'Nataria Portuguesa', em Buenos Aires, Argentina
'Nataria Portuguesa', em Buenos Aires, Argentina
A recentemente inaugurada "Nataria Portuguesa" conseguiu dois feitos: uma receita própria próxima dos pastéis de nata de Portugal e fazer com que os argentinos, aos poucos, troquem os tradicionais alfajores pelo emblemático doce português.

Até o final do século XIX, metade das famílias em Buenos Aires era de origem portuguesa, mas, apesar dessa presença, a Argentina não tem tradição em doces com ovos nem herdou nenhuma receita do mais famoso doce português, o pastel de nata.

"Os nossos clientes iniciais foram os descendentes de portugueses e os argentinos que conhecem Portugal. Surpreendeu-me como os argentinos, com a divulgação do turismo em Portugal, conhecem o pastel de nata", explica à Lusa o empresário Luís Infante da Câmara, indicando ainda que 15% das vendas são para turistas, especialmente os brasileiros.

Há cinco meses, o empresário português lançou a rede Nataria Portuguesa.

Por enquanto, a fábrica em San Javier, interior da província de Santa Fé, abastece uma dezena de pontos de Buenos Aires e duas lojas próprias: uma no elegante e turístico bairro La Recoleta; outra, no Centro da cidade, colada com outro ícone português, o Hotel Pestana Buenos Aires.

O sucesso entre os clientes argentinos é evidente, com muitos a comprarem os doces para o café da tarde nos escritórios, um costume argentino acompanhado, até agora, apenas de biscoitos e alfajores.

Entre os chineses, uma comunidade de 200 mil, sobretudo concentrada em Buenos Aires, o sucesso é ainda maior, explicou Luís Infante da Câmara.

"Os chineses conhecem o pastel de nata que entrou no país a partir de Macau, mas que já se espalhou a outras regiões. Publicaram a novidade no site da comunidade e os pedidos não param. Não compram por unidade, mas às dezenas", disse o empresário, que também já fechou um contrato de venda durante o festival Lollapalooza Argentina, em março.

As expectativas de negócio iniciais dobraram e a Nataria Portuguesa pretende agora duplicar o número de lojas até meados do ano e triplicar até o final de 2019, chegando a seis lojas neste primeiro ano.

Nos próximos meses, a fábrica deve atingir a produção de 2.500 pastéis por dia, duplicando e até triplicando até o final do ano.

"Não tenho nada a ver com pastel de nata, com pastelarias nem com cozinhas. Comi poucos pastéis de nata ao longo da vida. Todos os que entendiam do assunto recomendavam-me não me meter nisso porque o clima era diferente, porque a humidade é alta e porque os ingredientes eram outros", recordou Luís Infante da Câmara.

A primeira cozinha foi na fazenda onde vive, no interior de Santa Fé. De início, comprou um forno especial e trouxe um cozinheiro de Portugal, mas os resultados não eram constantes.

"Nem mesmo o cozinheiro conseguia explicar. Era a mesma panela, os mesmos ingredientes e o mesmo tempo de cozedura. Num dia os pasteis eram fantásticos; noutro, incomíveis. Incidia humidade, calor, o tipo de farinha, o tipo de açúcar, o tipo de manteiga. Demoramos muito tempo para encontrar a farinha e a manteiga exatas e a combinação de ambas", recordou.

Depois de três cozinheiros diferentes, de escolher entre 20 tipos de farinhas e um investimento de quase 600 mil euros o resultado foi uma receita digna do título de pastel de nata português.

E agora quer lançar um novo pastel de nata com cariz argentno, com base de doce de leite, para competir com a paixão argentina pelos alfajores, um doce tradicional muito apreciado.

"Tentei fazer algo adaptado ao público argentino e que saiu bem, mas não quero ainda lançar. Quero fazer uma coisa bem feita de cada vez. Mas um dia espero lançar o pastel de nata com doce de leite", prometeu.
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