Stoltenberg recordou que, devido à crise na Ucrânia e face a "uma Rússia mais assertiva" foram enviados cerca de quatro mil homens.
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A NATO deverá acompanhar "de muito perto" as grandes manobras militares russas previstas para a próxima semana na fronteira oriental da União Europeia e da aliança, cuja realização já foi condenada por França e Alemanha.
Desde há vários meses, esta demonstração de força do exército russo, com o nome de código Zapad-2017 ('Oeste-2017'), tem motivado especulações e receios nos países bálticos e na Polónia, com alguns Estados a acreditarem que o exercício servirá para encobrir uma invasão.
"Estamos preocupados pela natureza e pela falta de transparência deste exercício", manifestou, esta quarta-feira, o primeiro-ministro da Estónia, Jüri Ratas, ao receber o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, em Tapa (norte), numa base militar onde se encontram tropas da Aliança.
"Vamos monitorizar estas atividades de muito perto. Estamos vigilantes, mas também calmos, porque não vemos uma ameaça iminente contra um aliado da NATO", garantiu o líder da NATO.
Stoltenberg recordou que, devido à crise na Ucrânia e face a "uma Rússia mais assertiva", a NATO reforçou a sua presença militar no Leste a um nível inédito desde o fim da Guerra Fria, enviando cerca de 4.000 homens.
Cerca de 12.700 militares bielorrussos e russos deverão participar na operação Zapad-2017, entre 14 e 20 de setembro, ao sul da fronteira lituana, de acordo com Moscovo, mas a Lituânia e a Estónia afirmam que o exercício mobilizará, de facto, 100.000 soldados.
De acordo com os países ocidentais, em 2009 e 2013, as manobras Zapad simularam uma invasão da Polónia por dezenas de milhares de soldados russos e um ataque nuclear contra Varsóvia.
As ministras da Defesa alemã e francesa também já condenaram os exercícios.
"É indiscutível que vemos uma demonstração das capacidades e do poder dos russos" neste exercício, sublinhou a alemã, Ursula Von Der Leyen, ao lado da sua homóloga francesa, Florence Parly, à margem de uma reunião de ministros da Defesa da União Europeia, que decorre esta quinta-feira em Talin, capital da Estónia.
"É particularmente importante que, neste contexto, nós reafirmemos a nossa presença face a esta expressão e esta demonstração [de força] que os russos estão a fazer, que é também uma estratégia de intimidação, não há que escondê-lo", destacou, por seu lado, a ministra francesa.
A NATO tem pedido a Moscovo "transparência", nos últimos meses, e reclama que os seus observadores -- três deles foram convidados a participar em "dias de visita" -- possam assistir às fases cruciais do exercício, nomeadamente os 'briefings' sobre o seu cenário e a sua progressão, como prevê o documento de Viena, que Moscovo assinou, para manobras que mobilizem mais de 13.000 soldados.
O chefe de Estado Maior da Bielorrússia, Oleg Belokonev, explicou que o exercício pretende responder a uma tentativa de "desestabilização" por parte de uma "coligação de países do Ocidente (...) onde se situam a Polónia, a Lituânia e a Letónia".
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