Jornal temeu que a palavra 'feto' fosse vista como algum tipo de comentário sobre o aborto, tema atualmente polémico nos EUA.
O New York Times, proprietário do popular jogo de palavras Wordle, alterou à pressa a solução desta segunda-feira, por temer que a palavra 'feto' fosse vista como algum tipo de comentário sobre o aborto, tema atualmente polémico nos EUA.
O jornal assegurou, em comunicado, que a palavra do dia desta segunda-feira era "completamente não intencional" e uma "coincidência".
"Entre os milhões de jogadores diários de Wordle, alguns podem encontrar uma solução desatualizada que parece intimamente relacionada com um grande evento de notícias recente", referiu Everdeen Mason, editora da seção de jogos do prestigiado diário.
Sem citar em concreto a palavra "feto" ["fetus", em inglês], o New York Times explicou, na nota de imprensa, que as cinco letras foram geradas e gravadas "no ano passado", antes, por isso, da revelação, na semana passada, de um projeto do Supremo Tribunal dos EUA que, caso seja adotado como está atualmente, fará recuar o país cerca de 50 anos, quando cada Estado era livre de proibir ou autorizar abortos.
"Na secção de jogos do The New York Times, vemos o nosso espaço como um lugar de entretenimento e escape à realidade e queremos que o Wordle fique fora das notícias", acrescentou Everdeen Mason.
A editora explicou ainda que após terem descoberto, na semana passada, que a palavra "feto" era a solução do dia, foi tarde demais para ser alterada para todos os utilizadores.
Vários utilizadores partilharam esta segunda-feira, nas redes sociais, as duas soluções do dia, "feto" e uma palavra mais inócua, com alguns a assinalarem as precauções tomadas pelo jornal.
O conselho editorial do The New York Times, que reúne jornalistas da sua secção de opinião, posicionou-se formalmente a favor do direito ao aborto na semana passada.
Em meados de fevereiro o jornal nova-iorquino tinha anunciado que limpou do Wordle palavras "nocivas ou rudes" que iriam ser utilizadas.
O histórico jornal, que conta com uma das maiores equipas editoriais do mundo, procura há anos diversificar a forma como conquista assinantes, tendo adquirido, em janeiro, o fenómeno da Internet por vários milhões de dólares.
Criado pelo engenheiro Josh Wardle, o jogo envolve a descoberta de uma palavra de cinco letras em apenas seis tentativas.
Este jogo, lançado em outubro, tinha apenas 90 jogadores no início de novembro, mas no início de janeiro eram mais de 300 mil e atualmente "milhões de pessoas jogam diariamente" o Wordle, revelou, na altura da aquisição, o New York Times.
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