Venezuela e Pequim assibaram um acordo de cooperação aeroespacial.
O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou esta quinta-feira, em Pequim, a assinatura de um acordo de cooperação aeroespacial com a China, que prevê o envio do "primeiro venezuelano para a Lua".
"Estamos no Grande Palácio do Povo. Foi um dia de trabalho bem-sucedido! Vamos à lua", afirmou Maduro, num vídeo difundido através da rede social X, o antigo Twitter.
Durante um discurso, o Presidente venezuelano enalteceu a assinatura de vários acordos com a China, em diferentes áreas, indicando que a cooperação vai ter como "símbolo a chegada do primeiro homem ou mulher da Venezuela à Lua a bordo de uma nave espacial chinesa".
"Muito em breve, jovens venezuelanos virão para cá [China], para se formarem como astronautas em escolas chinesas", acrescentou.
A declaração conjunta entre os líderes dos dois países prevê "elevar o nível dos laços bilaterais e aprofundar a cooperação em vários domínios", incluindo energia, finanças, economia, comércio, investimento, mineração, agricultura, infraestruturas, telecomunicações e economia digital.
"As duas partes concordaram em reforçar a cooperação no domínio aeroespacial [...] e estão dispostas a trabalhar em conjunto" em "projetos como as telecomunicações, satélites de deteção remota e exploração da Lua e do espaço profundo", segundo o texto.
A Venezuela está atualmente mergulhada numa grave crise económica. O Produto Interno Bruto (PIB) do país afundou 80%, em 10 anos. Cerca de sete milhões dos seus 30 milhões de habitantes deixaram o país.
Isolada pelas sanções petrolíferas dos Estados Unidos, a Venezuela voltou-se para a China, Rússia, Irão e Turquia. As autoridades venezuelanas afirmam regularmente que as sanções são a causa da crise, mas a recessão começou muito antes da sua introdução.
Maduro, que já visitou a China cinco vezes desde que ascendeu ao poder - a última em 2018 -, terminou esta quinta-feira uma visita de uma semana ao país asiático.
A Venezuela procurou obter apoio da China para reanimar a sua economia, que foi atingida por uma das mais altas taxas de inflação do mundo (436% em maio).
Crítico feroz dos Estados Unidos, Nicolás Maduro elogiou a China como um país "sem um império hegemónico que chantageia, domina e ataca os povos do mundo".
O Presidente chinês, Xi Jinping, visitou a Venezuela pela última vez em 2014.
Xi recebeu Maduro na quarta-feira com guarda de honra, salvas de canhão e o hino dos dois países tocado por uma banda militar, no Grande Palácio do Povo, o edifício monumental contíguo à Praça Tiananmen.
O líder chinês anunciou a elevação da relação entre a China e a Venezuela para o mais alto nível protocolar na diplomacia chinesa.
"Estou muito satisfeito por anunciar a elevação das relações entre a China e a Venezuela para o nível de parceria estratégica nos 'momentos bons e maus'", disse Xi Jinping, citado pela televisão estatal CCTV.
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