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Número de alegadas vítimas de assédio por James Toback subiu para mais de 300

Entre as vítimas de James Toback estão as atrizes Selma Blair, Rachel McAdams e Julliane Moore.
Lusa 29 de Outubro de 2017 às 01:01
James Toback
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O número de alegadas vítimas de assédio sexual por parte do argumentista e realizador norte-americano James Toback passou de 38 para mais de 300 numa semana, na sequência de uma reportagem publicada no Los Angeles Times.

No domingo passado, o Los Angeles Times publicou uma reportagem na qual 38 mulheres acusavam James Toback, nomeado para os Óscares com o argumento de "Bugsy" (1991), de assédio sexual.

Entretanto, no final desta semana, o autor da reportagem, Glenn Whipp, anunciou na sua conta na rede social Twitter que o número de mulheres que o contactaram para contarem a sua experiência "subiu para 310".

Entre as alegadas vítimas de James Toback estão as atrizes Selma Blair, Rachel McAdams e Julliane Moore. Selma Blair e Rachel McAdams partilharam as suas experiências com a revista Vanity Fair, segundo a qual, as duas "contam histórias bastante parecidas sobre o 'modus operandi' de James Tocback - os pedidos para se encontrarem em quartos de hotel, elogios sobre as capacidades de representação e a promessa de um papel no filme 'Harvard Man' (2001)".

Entre as 31 mulheres ouvidas pelo Los Angeles Times que se identificaram estão a guitarrista e vocalista da banda Veruca Salt, Louise Post, e a atriz Terri Conn, da série "As the world turns".

Muitas das alegadas vítimas dizem que Toback as abordou na rua, em Nova Iorque, prometendo-lhes estrelato. De acordo com os testemunhos, James Toback marcava depois reuniões com as mulheres, que terminavam com questões de cariz sexual ou com o realizador a masturbar-se ou a simular atos sexuais com as mesmas.

O argumentista e realizador, de 72 anos, negou as acusações, em declarações ao jornal, dizendo que nunca conheceu nenhuma das mulheres que o acusam ou que se contactou com elas "foi durante cinco minutos" e não se recorda.

À Vanity Fair, Selma Blair contou ter sido uma das mulheres que falaram com o repórter do Los Angeles Times, com a condição de o seu nome não ser divulgado. A atriz contou que, depois do que aconteceu em 1999, o realizador e argumentista a ameaçou de morte e que, desde então, só partilhou o que se passou com duas pessoas.

"Quando ele chamou mentirosas a estas mulheres e disse que não se lembrava de as ter conhecido, senti raiva e a obrigação de falar publicamente no assunto", disse a atriz à revista.

Rachel McAdams contou que, quando tinha 21 anos, James Toback convidou-a para ir até um quarto de hotel, intimidou-a e disse-lhe que se tinha masturbado a pensar nela.

Contactado pela Vanity Fair, publicação para qual escreveu em tempos, James Toback disse não ter comentários a fazer sobre as acusações.

A acusação de Julianne Moore foi feita na página oficial da atriz no Twitter, em mensagens dirigidas ao repórter do Los Angeles Times.

"James Toback dirigiu-se a mim na década de 1980 na Columbus Avenue com a mesma linguagem -- queria que fizesse uma audição, fosse ao seu apartamento. Eu recusei. Um mês depois fez o mesmo com a mesma linguagem. Eu disse: não se lembra de já ter feito isto antes?", lê-se na página da atriz.

As acusações de assédio sexual a James Toback surgiram pouco tempo depois da publicação, pelo New York Times, de um artigo segundo o qual o produtor norte-americano Harvey Weinstein alcançou, durante décadas, uma série de acordos extrajudiciais para pôr termo a denúncias de assédio sexual, as quais remontam à década de 1990.
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