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OMS admite que possa haver mais casos de hantavírus ligados ao navio de cruzeiro

Até agora, oito pessoas foram sinalizadas como casos de possível infeção das quais três morreram.

07 de maio de 2026 às 15:21

A Organização Mundial de Saúde (OMS) anunciou cinco casos confirmados de contágio por hantavírus no surto registado num navio de cruzeiro, admitindo que o número aumente.

"Considerando o período de incubação do vírus Andes, que pode chegar às seis semanas, é possível que sejam reportados mais casos", afirmou o diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, durante a sua primeira conferência de imprensa desde que a OMS anunciou, no domingo, o surto de hantavírus.

Até agora, oito pessoas foram sinalizadas como casos de possível infeção, "três das quais morreram" e "cinco destes oito casos foram confirmados como hantavírus, enquanto três outros são considerados suspeitos", declarou.

O vírus Andes é um tipo de hantavírus nativo da América do Sul, sendo a causa mais comum da Síndrome Pulmonar por Hantavírus na região.

Esta é a única estirpe para a qual foi documentada a transmissão de pessoa para pessoa.

O responsável da OMS adiantou ter já informado os 12 países cujos cidadãos desembarcaram em Santa Helena, durante uma escala no dia 24 de abril, apontando o Canadá, a Dinamarca, a Alemanha, os Países Baixos, a Nova Zelândia, São Cristóvão e Névis, Singapura, a Suécia, a Suíça, a Turquia, o Reino Unido e os Estados Unidos.

O diretor-geral da organização afirmou ainda que espera que os habitantes das ilhas espanholas das Canárias, "compreendam, apoiem e cooperem" mesmo estando preocupados com os riscos representados pela chegada do navio onde foi reportado o surto, prevista para o próximo fim de semana.

Entretanto, a Argentina está a refazer os passos do paciente zero deste surto de hantavírus, um vírus raro para o qual não existe tratamento nem vacina.

O cruzeiro onde foram registados os casos e as mortes zarpou de Ushuaia, na Patagónia, a 1 de abril, com destino a Cabo Verde pelo que os investigadores querem determinar se o contágio aconteceu em terra (na Argentina, Chile ou Uruguai) através de roedores ou já a bordo.

O primeiro passageiro a apresentar sintomas (febre, dor de cabeça e diarreia ligeira) foi um holandês de 70 anos que adoeceu a 06 de abril e é considerado o paciente zero. O homem morreu a bordo do navio no dia 11 de abril.

Treze dias depois, o seu corpo foi desembarcado em Santa Helena (ilha remota no Oceano Atlântico sul que faz parte do território britânico), juntamente com o da sua mulher, uma holandesa de 69 anos.

A mulher também apresentou sintomas, mas voou para Joanesburgo, África do Sul, a 25 de abril, onde ia embarcar num voo para os Países Baixos. Morreu no dia seguinte e a sua infeção por hantavírus foi confirmada a 4 de maio.

Segundo a empresa de navegação, um total de 30 passageiros - incluindo o corpo do paciente zero - desembarcou do navio de cruzeiro em Santa Helena.

Entretanto, a 2 de maio, um cidadão alemão morreu a bordo após ter apresentado os primeiros sintomas a 28 de abril e um outro passageiro suíço, que também desembarcou em Santa Helena, foi hospitalizado em Zurique e testou positivo.

Mais três casos suspeitos foram desembarcados na quarta-feira do navio 'MV Hondius' em Cabo Verde -- dois tripulantes britânicos e holandeses que estavam doentes e um caso de contacto assintomático -- e transferidos por voos médicos que partiram de Praia.

Os hantavírus são transmitidos aos humanos através de roedores selvagens infetados que excretam o vírus na saliva, urina e fezes.

Uma mordedura, o contacto com estes roedores ou com os seus excrementos, bem como a inalação de poeiras contaminadas, podem levar à infeção, que pode causar síndrome respiratória aguda.

Segundo disse o diretor-geral da OMS na quarta-feira, "neste momento, o risco global para a saúde pública continua a ser baixo".

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