Presidente foi reeleito com uma vantagem de mais de quatro milhões de votos sobre o adversário, Flávio Bolsonaro.
Lula da Silva contrariou todas as sondagens e obteve no domingo uma vitória clara, por mais de 4 milhões de votos, sobre Flávio Bolsonaro, três semanas depois de ter sido derrotado na primeira volta. O veterano político, que completa esta terça-feira 81 anos, mostrou uma capacidade de reação e um vigor que fez muita gente sair de casa e votar nele, uns por convicção, outros para evitarem o regresso da família Bolsonaro ao poder.
Muitas vezes tendo as suas vitórias conotadas com o Nordeste do Brasil, onde nasceu, Lula da Silva mostrou nestas presidenciais força política em todas as regiões do país, inclusive nos grandes centros urbanos do sudeste, como São Paulo, cidade onde venceu Flávio por 10 pontos de diferença. O Nordeste foi, mais uma vez, decisivo, respondendo por 38,17% de todos os votos obtidos por Lula, mas outros 37,53% saíram de urnas de cidades no sudeste.
Após ter perdido a primeira volta por 2,2 milhões de votos, uma desvantagem que parecia difícil de recuperar, o veterano líder da esquerda brasileira fez na segunda volta mais do que isso e venceu o representante da direita pelo dobro dessa margem, 4,4 milhões de votos. Com 64,2 milhões de votos conquistados domingo, Lula foi reeleito com a maior votação já obtida por um presidente no país.
Esta segunda-feira ainda se procuravam explicações para a reviravolta do eleitorado, que votou maciçamente num candidato que aparentemente tinha chegado ao fim da sua carreira política, pela idade e pela derrota de dias na primeira ronda, mas essa mudança ocorreu por todo o Brasil, em cidades pequenas e grandes, ricas e pobres. Lula viu a sua votação aumentar em 97% das cidades brasileiras em relação à primeira volta, e em 211 delas conseguiu mesmo 'virar' o resultado, vencendo agora depois de ter sido derrotado há três semanas.
O súbito entusiasmo com o veterano político fez sair de casa eleitores que na primeira volta tinham optado por não votar, o que fez a abstenção, que geralmente aumenta na segunda volta, cair de 21% para 19%, garantindo a Lula 10,2 milhões de votos a mais do que na primeira. Com a vitória de Lula, o Brasil interrompeu o avanço da onda conservadora na América Latina, onde nove eleições foram vencidas pela direita alinhada ao presidente dos EUA, Donald Trump.
Bolsonaro pede impugnação
Flávio Bolsonaro recusou no domingo à noite reconhecer a vitória de Lula e anunciou que vai pedir a impugnação da segunda volta devido à a decisão do juiz Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, que durante anos foi advogado de Lula, de mandar prolongar o horário da votação por mais duas horas quando muitas seções de voto já tinham encerrado. “É impossível reconhecer o resultado das eleições neste contexto. Vamos pedir a anulação dessas eleições. Às 17h01 [a votação encerrou às 17h00], o juiz Zanin, que não faz parte do Tribunal Superior Eleitoral, atropelando a justiça especializada, toma uma decisão prorrogando por duas horas as eleições. Isso nunca tinha acontecido na história do Brasil. Houve uma quebra total da isonomia entre brasileiros de diversas cidades e diferentes estados”, acusou o candidato derrotado, aludindo ao facto de a decisão do juiz ter ocorrido já após o horário do fecho das urnas, o que provocou um caos no Brasil inteiro, com muitas mesas de voto a continuarem abertas e outras já encerradas. Antes da decisão de Zanin, a campanha de Lula tinha solicitado a ampliação do horário de votação, primeiro na cidade de Salvador, capital da Bahia, e depois em 10 dos 27 estados do Brasil onde o presidente tem grande apoio, alegando um boicote de empresas dos transportes coletivos, que supostamente estariam a reter autocarros nas garagens impedindo eleitores de chegar às secções de voto. O próprio Flávio tinha também solicitado ao Tribunal Superior Eleitoral a ampliação do horário de votação em 17 cidades de três estados onde tinha obtido bons resultados na primeira volta e que este domingo foram afetadas por temporais, mas o magistrado atropelou tudo e mandou estender a votação em todo o país mesmo com parte das secções já encerradas.
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