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OPERAÇÃO DE ALTO RISCO

Numa intervenção cirúrgica sem precedentes, uma equipa com mais de 120 especialistas deu ontem início, num hospital de Singapura, à arriscada operação para separar as gémeas siamesas iranianas, Ladan e Laleh Bijani, unidas pela cabeça há 29 anos.

07 de julho de 2003 às 00:00

Minutos antes da anestesia, as siamesas “encontravam-se de bom humor e rindo com os seus amigos” , segundo revelou um porta-voz do hospital Raffles, onde decorre a operação “Esperança”, assim denominada devido aos riscos que representa.

Uma vez que as irmãs partilham um importante vaso sanguíneo que “alimenta” os dois cérebros, o primeiro passo foi retirar uma veia da perna direita de Ladan, que vai ser utilizada na criação de um novo vaso sanguíneo para uma das irmãs.

Os médicos, chefiados pelo neurocirurgião Keith Goh e pelo cirurgião plástico Waltan Tan, estão a trabalhar com o apoio de um sistema computorizado de imagem, para ajudar a identificar os vasos sanguíneos e os nervos e determinar quais deles pertencem a uma e a outra. A fase mais crítica será precisamente a da separação do vaso sanguíneo principal, um processo que poderá durar no mínimo 12 horas.

As gémeas, que têm tantas possibilidades de sobreviver como de morrer durante a intervenção, contam com o empenho de 28 médicos e uma centena de assistentes. Esta é a primeira vez que este tipo de operação é feita em adultos, devendo a intervenção durar entre 48 a 96 horas.

INFECÇÕES PERIGOSAS

Um dos grandes riscos que as jovens começam por enfrentar ao se submeterem a uma intervenção cirúrgica muito demorada e na qual participam muitos profissionais de saúde são as infecções.

Pratas Vital, neurocirurgião do Hospital Egas Moniz, afirma que “uma operação prolongada, com especialistas a entrar e a sair do bloco operatório é um risco de infecção muito grande para as pacientes”. A idade não constitui, segundo o especialista, um factor acrescido de risco. “Saber como é que os cérebros estão ligados, que estruturas vão ser separadas são questões primordiais, a que se segue depois todo o trabalho de plastia ou o revestimento da superfície a tapar”, adianta Pratas Vital.

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