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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Oposição da Venezuela questiona "graves omissões" no projeto de amnistia

Plataforma Democrática Unitária diz que texto exclui amplos grupos de presos políticos civis e militares.

07 de fevereiro de 2026 às 07:56

A maior coligação da oposição na Venezuela criticou as "graves omissões" e exclusões de casos no projeto de lei amnistia apresentado pela presidente interina Delcy Rodríguez e que está a ser discutido no parlamento.

A Plataforma Democrática Unitária (PUD) afirmou que o texto apresenta "graves omissões", como a exclusão de "amplos grupos de presos políticos civis e militares" ou períodos de "significância histórica" que não se enquadram nas circunstâncias abrangidas pela lei.

A proposta refere que a amnistia visa promover "a justiça e a convivência", rejeita a lógica de vingança e aponta para a reconciliação nacional, embora o alcance temporal da medida, prometida para abranger o período desde a eleição do falecido presidente Hugo Chávez em 1999, permaneça indefinido.

A PUD salientou na sexta-feira que o projeto não revoga legislação como a Lei Contra o Ódio ou a Lei Simón Bolívar, que considera parte do "quadro legal repressivo" da Venezuela.

Num comunicado publicado na rede social X, a coligação acrescentou que a proposta também não garante o "regresso seguro" dos exilados nem revoga as inabilitações políticas dos líderes da oposição.

A PUD é liderada pela Prémio Nobel da Paz María Corina Machado, que foi impedida pelos tribunais da Venezuela de concorrer às eleições presidenciais de julho de 2024.

A coligação considerou ainda preocupante que a aplicação da amnistia fique a cargo do Ministério Público e do atual sistema judicial, que descreveu como "instrumentos de perseguição política".

"Um processo em que a liberdade dos perseguidos depende daqueles que ordenaram, executaram ou validaram a sua detenção não pode ser chamado de reconciliação", declarou a PUD.

A coligação insistiu que todos os presos políticos devem ser libertados "imediatamente e sem mais demoras" e reiterou que uma amnistia "incompleta ou condicional" não pode ser considerada "genuína".

Na sexta-feira, o presidente da Assembleia Nacional da Venezuela, Jorge Rodríguez, prometeu aos familiares de presos políticos que "todos os detidos" serão libertados no dia em que a lei da amnistia for aprovada, na próxima semana.

Perante mães de detidos, Rodriguez estimou que a amnistia será aprovada "entre a próxima terça-feira e sexta-feira, o mais tardar".

Desde o início de janeiro, pelo menos 383 presos políticos foram libertados, de acordo com a organização não-governamental (ONG) Foro Penal, enquanto 687 continuam detidos, com familiares a manterem protestos junto às prisões.

A nova amnistia vai permitir que presos políticos beneficiem da extinção total dos processos judiciais, ao contrário das libertações recentes, que implicaram medidas de supervisão judicial.

Esta será a segunda amnistia geral aprovada desde a chegada de Hugo Chávez ao poder (1999-2013), e depois da medida adotada em 2007.

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