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Tem também crescido no país o número de mulheres que abraçam esta religião, e que circulam pelas ruas, envergando burca, 'hijab' ou 'niqab'.
Mesmo sem reconhecimento oficial, o Islão ganha diariamente novos fiéis em Angola, onde muitos emigrantes muçulmanos destacam os laços de irmandade com os angolanos, realizando atividades comerciais e religiosas "sem barreiras e discriminação".
Rezar, fazer comércio e criar laços com os "irmãos angolanos" é a rotina diária de muitos emigrantes que praticam o Islamismo em Angola, que consideram a sua segunda casa.
Apesar desta religião não estar oficialmente reconhecida pelas autoridades angolanas, os estrangeiros muçulmanos que vivem no país lusófono, maioritariamente africanos, dizem ter uma vida normal e destacam o crescimento e o recrutamento constante de novos fiéis.
Estes, que se dedicam maioritariamente ao comércio, consideram a prática do Islão o seu modo de vida e manifestam-se felizes pelo crescente número de fiéis, sobretudo angolanos, com quem dizem ter relações familiares, sem se sentirem discriminados.
"(Vivemos) normalmente, o dia a dia é normal, estamos a viver juntos com os nossos irmãos angolanos, é uma vida normal, não tem nada de especial. Estamos a rezar e sentimo-nos praticamente no nosso país", disse Slama Kadher, há 15 anos em Angola.
O cidadão da Mauritânia, 70 anos, que se dedica à venda de produtos alimentares em Luanda, considera que o não reconhecimento do Islão em Angola constitui "alguma dificuldade", mas que não os impede de ter uma "vida normal".
O comerciante assegura que a relação com os angolanos "é normal, não existem problemas", e exortou-se a estudarem o Islão "para melhor compreender a mensagem", garantindo que o muçulmano respeita as regras da religião, da casa, da rua e das autoridades.
Em Angola, há 13 anos, o comerciante egípcio Ibrahim Bih, também crente muçulmano, de conta de que hoje os angolanos percebem melhor a religião islâmica, contrariamente ao que acontecia no passado, em que assistia a algumas manifestações racistas.
A relação com os angolanos "não tem mais racismo como antes, o muçulmano entrou em Angola para trabalhar, mas também na nossa regra podemos ajudar o povo (angolano) para ser muçulmano, para viver melhor e para ficar mais inteligente", realçou.
O não reconhecimento oficial do Islão em Angola não constitui problema para Ibrahim, sobretudo pelo facto do país não impedir que estes rezem e pratiquem os seus cultos nas "muitas mesquitas".
"Não temos dificuldades. Graças a Deus a religião cresceu em Angola, a maioria dos jovens que entram na religião são muçulmanos, estamos a dar aulas para eles não roubarem, não cometerem crimes e estamos a ajudar o povo a estudar", destacou.
Este cidadão egípcio disse ainda que a maior parte do povo africano professa o Islão e que a religião não teve implementação efetiva em Angola por culpa do governo colonial português.
"O problema é que a religião atrasou muito em Angola devido ao colono, antigamente o colono não deixava o muçulmano entrar aqui. O único país onde a religião (islâmica) entrou muito tarde (foi) só Angola devido ao colono português", rematou o comerciante egípcio.
À saída de um culto na Mesquita Ebad Al Rahman, no Zango 0, no Distrito Urbano do Zango, município de Viana, em Luanda, o egípcio Mohamed Abdetauad, disse ter uma agenda diária normal como qualquer cidadão em Angola, dividido em atividades laborais, familiar e de lazer.
"A gente veio aqui para trabalhar também, mas normalmente também temos outras atividades que fazemos como visitar familiares, saímos com os amigos, passeamos pelo país", disse.
Mohamed comerciante de material elétrico, há 15 anos em Angola, contou mesmo que "nunca foi discriminado" no país que o acolheu, tendo realçado a relação "muito boa" que tem em Angola, onde muitos amigos seus formaram família.
"Não temos problemas, temos muitos amigos que estão casados, vivem com os angolanos e não tem problema quanto a isso", disse, apontando para a necessidade de Angola reconhecer o Islão.
Sublinhou que o Islão "cresceu muito" nos últimos 15 anos em Angola, o que associou ao facto de muitos cidadãos terem ganhado maior conhecimento sobre a crença muçulmana.
"Muitos países do mundo têm (reconhecem) o Islão e Angola também tem de reconhecer essa religião, então nós aqui também damos formação a muita gente (...). Nós também damos apoios aos vizinhos, amigos, qualquer tipo de apoio porque isso é coisa de Deus", realçou.
Além de cidadãos do norte de África, Angola conta igualmente com centenas de muçulmanos oriundos da região oeste do continente, vulgarmente conhecidos como "mamadous" e que se dedicam sobretudo ao comércio, em lojas, grandes superfícies ou em cantinas (pequenas mercearias), alfaiatarias e troca de divisas no mercado paralelo.
O bairro Mártires do Kifangondo, Distrito Urbano da Maianga, em Luanda, é atualmente um dos principais pontos onde se concentra esta comunidade, contando com um elevado número de cidadãos muçulmanos ali residentes e também com algumas mesquitas.
Tem também crescido no país o número de mulheres que abraçam esta religião, e que circulam pelas ruas, envergando burca, 'hijab' ou 'niqab' (trajes femininos), passando cada vez menos despercebidas.
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