António Costa, deixou em "termos claros e diplomaticamente fortes" que a decisão do Governo húngaro "não é aceitável" e constitui uma violação do princípio da cooperação leal entre Estados-membros.
Os chefes de Estado e de Governo da União Europeia discutiram esta quinta-feira durante cerca de 90 minutos o empréstimo de 90 mil milhões à Ucrânia, mas o primeiro-ministro húngaro recusou levantar o bloqueio, mantendo-se o impasse.
Segundo fontes europeias, no início desta conversa, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, deixou em "termos claros e diplomaticamente fortes" que a decisão do Governo húngaro em bloquear o empréstimo da UE "não é aceitável" e constitui uma violação do princípio da cooperação leal entre Estados-membros, consagrado nos Tratados, tendo em conta que Budapeste tinha aprovado esse empréstimo na cimeira europeia de dezembro.
Costa quis ainda salientar que a reparação do oleoduto de Druzhba -- que Budapeste acusa Kiev de estar propositadamente a atrasar para impedir a transferência de petróleo russo para a Hungria -- é uma questão diferente, separada do empréstimo e que já está a avançar.
Por último, o presidente do Conselho Europeu condenou declarações recentes do Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky -- que ameaçou dar as coordenadas da localização de Viktor Orbán a soldados ucranianos se mantiver o bloqueio --, considerando-as inaceitáveis e avisando que não ajudam ninguém: nem a Ucrânia, nem a UE, nem a Hungria.
Por sua vez, o primeiro-ministro, Viktor Orbán, tomou duas vezes a palavra -- no início e depois de os restantes líderes falarem -- para transmitir a ideia de que a decisão do seu Governo de bloquear o empréstimo é juridicamente sustentada.
Fontes europeias indicaram ainda que Orbán voltou a insistir que, enquanto o país não receber petróleo, também não irá aprovar fundos para a Ucrânia.
A maioria dos restantes líderes, nas diferentes intervenções que fizeram, manifestaram apoio às declarações de António Costa.
Os chefes de Estado e de Governo, incluindo o primeiro-ministro português, Luís Montenegro, vão agora discutir a guerra na Ucrânia com o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que intervirá por videoconferência, não se esperando que voltem a discutir o empréstimo de 90 mil milhões -- a cimeira deverá assim acabar sem qualquer acordo sobre esta matéria.
A Hungria tem estado a bloquear um empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia, aprovado no Conselho Europeu de dezembro, por acusar Kiev de estar a bloquear propositadamente a transferência de petróleo para o seu país através do oleoduto de Druzhba.
Esta cimeira, na chegada à cimeira, Orbán avisou que não vai aprovar qualquer medida a favor da Ucrânia enquanto o seu país não receber petróleo, salientando que é uma "questão existencial" para Budapeste.
"A posição húngara é muito simples: estamos disponíveis para apoiar a Ucrânia assim que recebermos o petróleo que eles estão a bloquear. Até lá, a Hungria não vai apoiar qualquer posição que seja favorável à Ucrânia", avisou Orbán.
Não se esperam avanços nesta cimeira europeia quanto ao empréstimo, assumindo que Viktor Orbán deverá manter o seu veto tendo em vista as eleições legislativas húngaras de 12 de abril, nas quais surge em segundo lugar em diversas sondagens.
Existe um sentimento de urgência já que a Ucrânia ficará sem financiamento em maio, tendo António Costa vindo a lembrar que o chefe do Governo húngaro tem de respeitar o empréstimo já acordado pelo Conselho Europeu.
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