"Tirem as mãos da República Democrática do Congo, tirem as mãos da África! Parem de sufocar África", referiu o Santo Padre.
O Papa Francisco criticou esta terça-feira de forma veemente o "colonialismo económico" desencadeado em África e na República Democrática do Congo (RDCongo), no primeiro dia da sua visita a este país africano.
"Tirem as mãos da República Democrática do Congo, tirem as mãos da África! Parem de sufocar África: não é uma mina a ser explorada, nem uma terra a ser saqueada", declarou o Papa Francisco, citado pela agência France-Presse, sob aplausos, diante das autoridades e do corpo diplomático, no palácio presidencial em Kinshasa.
O Papa Francisco chegou esta terça-feira a Kinshasa, na primeira etapa de uma viagem de sete dias que o levará também ao Sudão do Sul.
O chefe da Igreja Católica, citado pela agência Associated Press (AP), exigiu que as potências estrangeiras parem de saquear os recursos naturais da África para "veneno de sua própria ganância", numa cerimónia que ocorreu após dezenas de milhares de pessoas se terem alinhado ao longo da estrada principal da capital, Kinshasa, para lhe darem as boas-vindas.
Apelidando a vasta riqueza mineral e natural do Congo de "diamante da criação", Francisco exigiu que os interesses estrangeiros parassem de dividir o país para seu interesse próprio e reconhecessem o seu papel na "escravização" económica do povo congolês.
"Parem de sufocar a África: não é uma mina a ser despojada ou um terreno a ser saqueado", enfatizou o primeiro papa latino-americano da história, que há muito denuncia a forma como os países ricos exploram os recursos das nações mais pobres para seu próprio lucro.
O Papa Francisco aludiu assim ao papel que potências coloniais, como a Bélgica, desempenharam na exploração do Congo até que o país conquistou a sua independência em 1960.
"O veneno da ganância manchou os diamantes com sangue", disse Francisco, acrescentando: "Que o mundo reconheça as coisas catastróficas que foram feitas ao longo dos séculos em detrimento dos povos locais, e não se esqueça deste país e deste continente".
A enorme multidão presente à sua chegada a Kinshasa fez recordar algumas das primeiras viagens do Papa Francisco a países de maioria católica, mas que não tem sido a regra nos últimos anos, tanto mais que o Santo Padre tem optado por visitar países menos conhecidos, onde os católicos são uma minoria.
"O Papa tem 86 anos, mas veio assim mesmo. É um sacrifício e o povo congolês não o esquecerá", comentou, emocionado, Sultan Ntambwe, um funcionário bancário de 30 anos, enquanto aguardava a chegada de Francisco.
A 40.ª viagem internacional de Francisco, de 86 anos, que se antevê como particularmente desafiante devido aos seus problemas de mobilidade, esteve agendada para julho do ano passado, mas uma dor no joelho provocou o seu adiamento e, desde então, a situação de segurança na região tornou-se mais complicada em ambos os países.
A presente viagem também deveria incluir uma parada em Goma, no leste do Congo, mas a região vizinha de Kivu do Norte tem sido assolada por intensos combates entre tropas do governo e o grupo rebelde 23 de Março (M23), além de ataques de extremistas do grupo Estado Islâmico.
Os combates deslocaram cerca de 5,7 milhões de pessoas, um quinto delas apenas no ano passado, de acordo com o Programa Alimentar Mundial.
Sylvie Mvita, uma estudante de economia em Kinshasa, considerou, em declarações à AP, que a vinda do papa ajudará a focar a atenção do mundo e dos 'media' na RDCongo e nas lutas travadas no leste do país, mostrando como o sofrimento sofrido na região foi esquecido pelo resto do mundo.
"Isso permitirá ao mundo descobrir as atrocidades de que são vítimas os nossos irmãos do leste do país. E talvez, por uma vez, o pouco de humanidade que resta em algumas pessoas cause um despertar e a comunidade internacional não se interesse apenas pelo que está acontecendo na Ucrânia, mas também pelo que está acontecendo neste país", sublinhou a jovem.
As duras críticas de Francisco no início desta viagem às potências estrangeiras indiciam que o Papa quer levar uma mensagem de paz e apelar à comunidade internacional para não olhar para o lado e reconheça que África é o futuro da Igreja Católica.
O continente africano é um dos únicos lugares do mundo onde o número de católicos está a crescer, tanto em termos de prática dos fiéis, como de novas vocações ao sacerdócio e à vida religiosa.
Neste domínio, a RDCongo destaca-se como o país africano com mais católicos: metade de seus 105 milhões de habitantes são católicos e o país conta com mais de seis mil padres, 10 mil freiras e mais de quatro mil seminaristas, o que representa 3,6% do total global de jovens a optar pelo sacerdócio.
Isto torna a viagem de Francisco - a quinta ao continente africano nos seus 10 anos de pontificado - ainda mais importante à medida que o papa jesuíta procura reformar a igreja como um "hospital de campanha para almas feridas", onde "todos são bem-vindos, os pobres têm um lugar especial e os rivais são instados a fazer as pazes".
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