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Papa rejeita jantar com ministro turco

A menos de uma semana da visita do Papa Bento XVI à Turquia, o Vaticano rejeitou uma proposta do ministro turco dos Negócios Estrangeiros, Abdula Gul, para um encontro com o Papa ao jantar. A razão avançada pela Santa Sé foi: “As refeições são um prazer mundano.”

24 de novembro de 2006 às 00:00

A recusa do convite de Gul foi considerada pelo porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, “um caso episódico e limitado, que não mudará a substância e o clima da visita do Papa”.

O Estado Pontifício rejeitou igualmente uma proposta para antecipar ou adiar em dois dias a viagem. Ainda assim, o governo turco considera a visita “importante” e promete fazer “o melhor possível” para garantir o seu sucesso.

Refira-se que a recusa do encontro com Gul parece a resposta ao anúncio do primeiro-ministro turco, Recep Tajip Erdogan, de que não poderia receber o Papa devido a incompatibilidade de agenda. Erdogan participa na cimeira da NATO, em Riga, nos dias 28 e 29.

Bento XVI deverá encontrar-se com o presidente da República, com um ministro adjunto e com o máximo responsável para os Assuntos Religiosos do país. Mas, além de Erdogan, também o presidente da Câmara de Istambul recusa encontrar-se com o Papa.

Esta atitude de desafio acontece, recorde-se, na sequência da polémica causada por declarações de Bento XVI, numa conferência proferida em Setembro, nas quais acusava o Islão de ser, desde o profeta Maomé, uma religião de violência.

A contestação à visita tem sido visível, com várias manifestações de repúdio, a última das quais aconteceu na quarta-feira, quando dezenas de nacionalistas islâmicos ocuparam o Museu Santa Sofia, em Istambul.

PRESERVATIVO EM DISCUSSÃO

O uso do preservativo como forma de combater a epidemia de sida é um dos pontos em discussão na Conferência Internacional sobre doenças infecciosas que ontem começou no Vativano e se prolonga até sábado.

Apesar de algumas personalidades de grande prestígio na Igreja Católica, como o cardeal Martini, antigo arcebispo de Milão e ‘papabile’ no último conclave, se terem pronunciado a favor do preservativo “para evitar um mal maior”, a hierarquia continua a opor-se, recomendando a fidelidade do casal no interior do matrimónio e a abstinência sexual como métodos para travar a infecção.

O Papa Bento XVI encomendou um relatório sobre os aspectos científicos e morais do uso do preservativo. O documento, de 200 páginas, está pronto e já foi entregue, anunciou o cardeal mexicano Lozano Barragan, responsável pela Pastoral da Saúde.

MULHERES E GAYS DIVIDEM IGREJAS

O Papa Bento XVI e o arcebispo de Cantuária, Rowan Williams, líder da Igreja Anglicana, reconheceram ontem que questões como a ordenação de mulheres e de bispos homossexuais na Igreja Anglicana são obstáculos sérios ao diálogo ecuménico. Williams foi recebido no Vaticano, naquela que é a sua primeira visita desde a eleição de Bento XVI, em 2005.

O Papa lembrou que “há tensões e dificuldades” na Igreja Anglicana que afectam as relações com a Igreja Católica. “A nossa longa jornada torna necessário reconhecer publicamente o desafio representado pelos novos desenvolvimentos que, para além de dividirem os anglicanos, são um obstáculo ao progresso ecuménico”, lê-se num comunicado conjunto.

A visita de Williams acontece 40 anos após o primeiro encontro formal entre os líderes das duas Igrejas cristãs desde o século XVI.

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