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Correio da Manhã

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Pescador assassinado em frente à família

Um pescador de 40 anos que lutava contra a construcção de um gasoduto da empresa petrolífera brasileira Petrobrás na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, foi executado a tiro, em Magé, em frente da mulher e dos filhos.
26 de Maio de 2009 às 20:09

Três indivíduos armados invadiram a casa de Paulo César Santos Souza, reviraram-na aparentemente em busca de documentos e, depois, arrastaram-no para o meio da rua, espancaram-no brutalmente e mataram-no com três tiros no rosto e dois na nuca à frente da mulher e dos dois filhos, um de oito e outro de 16 anos.

Sousa era um dos fundadores e o tesoureiro da Associação dos Homens do Mar (Ahomar), entidade que luta contra o gasoduto, que vai ligar o terminal da Petrobrás na Ilha Redonda e a refinaria de Duque de Caxias, passando pela baía, de onde os pescadores retiram de forma artesanal o peixe que os sustenta. Os pescadores, que em Abril conseguiram a paralisação da obra por 36 dias, alegam que o gasoduto agride o Ambiente, afasta o peixe e que os barcos do consórcio GLP Submarino, responsável pela obra, provocam sucessivos acidentes.

No passado dia 16, uma manifestação dos pescadores no canteiro de obras do gasoduto, terminou num confronto com a polícia. Em 1 de Maio, o presidente da AHOMAR, Alexandre Anderson de Souza, escapou por poucoà morte ao ser alvejado com quatro tiros no mesmo canteiro, disparados alegadamente por seguranças da obra. O GLP Submarino, em nota, repudiou veementemente a tentativa de ligarem o crime, que considerou um acto vil, às divergências entre os pescadores e o consórcio. Já para o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, deputado Marcelo Freixo, “não há muita dúvida quanto à vinculação do homicídio com as denúncias feitas pela associação”.

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