Historiadores espanhóis referem que a Standard Oil de Nova Jérsia, "bem como outros fornecedores mais pequenos", ajudaram Franco e utilizaram Portugal como território de trânsito.
Os historiadores espanhóis Ángel Viñas e Guillem Martínez concluíram que o fornecimento de petróleo norte-americano, através de Portugal, foi decisivo para a vitória dos nacionalistas na Guerra Civil de Espanha.
O livro "O Ouro Negro de Franco" de Ángel Viñas e Guillem Martínez foi apresentado em Espanha na quarta-feira, na altura em que se assinala o cinquentenário da morte do ditador Francisco Franco (1892-1975).
Os autores do livro disseram à agência de notícias espanhola EFE que a ajuda dos Estados Unidos, "sob a forma de enormes quantidades de petróleo", foi decisiva para a vitória das tropas de Franco na Guerra Civil de Espanha (1936-1939).
Defendem que, embora o apoio das potências fascistas (Itália e Alemanha) esteja estudado, o que era desconhecido, até ao momento, era o fornecimento de combustível levado a cabo por algumas companhias petrolíferas dos Estados Unidos às forças nacionalistas lideradas por Francisco Franco.
Na investigação, Viñas e Martínez referiram que a Standard Oil de Nova Jérsia, Estados Unidos, "bem como outros fornecedores mais pequenos" ajudaram Franco e utilizaram Portugal como território de trânsito.
Segundo a EFE, o estudo dos historiadores refere que poucos dias antes do início do golpe nacionalista de 18 de julho de 1936, o encarregado de negócios britânico em Madrid enviou um relatório para Londres sobre o fluxo de combustíveis destinado às forças nacionalista.
O agente citado pelo embaixador avisou que a companhia britânica Shell "poderia enviar gasolina para Portugal".
O livro refere que a Shell "não interveio", ao contrário da norte-americana Standard Oil.
Neste sentido, o historiador Ángel Viñas afirmou que o livro não simpatiza com a postura do presidente norte-americano Roosevelt, "que não interveio junto das companhias petrolíferas (norte-americanas) para as impedir de auxiliar" os nacionalistas.
Para os investigadores, o petróleo, primeiro da Standard Oil e depois da Texaco, foi crucial para a vitória das tropas de Franco.
"Com a ajuda italiana e alemã, Franco organizou a travessia do Estreito de Gibraltar, que não durou apenas alguns dias. O transporte das forças revoltosas de Marrocos para a Península Ibérica continuou até fevereiro ou março de 1937", disseram os historiadores.
O livro desmistifica a ideia de que o "Exército de África", liderado por Franco, atravessou o Estreito de Gibraltar no espaço de apenas uma semana, com tropas e material bélico, numa altura em que "o petróleo desempenhava um papel predominante nos transportes aéreos e marítimos".
Segundo Guillem Martínez "os norte-americanos desempenharam um papel muito importante no sector petrolífero, enviando o melhor da refinação, pois eram grandes investigadores no desenvolvimento de refinarias".
Além disso, Martínez acrescenta que Franco tinha o apoio "incondicional do homem forte da Texaco, Torkild Rieber, de origem norueguesa", que simpatizava com os nacionalistas espanhóis.
A norte-americana Texaco tinha assinado um contrato com a República espanhola em 1935, tornando-se o principal fornecedor de combustível ao país, mas, após o golpe nacionalista de julho de 1936, Rieber "mudou de lado" para apoiar as forças de Francisco Franco.
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