Objetivo é inocular 52% da população em duas etapas, com duas doses.
O plano angolano de vacinação contra a covid-19 vai custar 217 milhões de euros, abrangendo 20% da população na primeira fase, incluindo profissionais de saúde, forças de segurança e pessoas com mais de 40 anos e comorbilidades de risco.
Segundo uma versão preliminar do plano a que a Lusa teve acesso, atualizado em 15 de janeiro de 2021, o objetivo é vacinar 52% da população contra a covid-19 em duas etapas, com duas doses.
Numa primeira fase, a implementar no primeiro semestre de 2021, serão abrangidos 6,4 milhões de habitantes com 40 e mais anos e comorbilidades de risco, bem como população com exposição contínua.
Está prevista a vacinação de 100% dos profissionais de saúde, pessoal e utilizadores de serviços sociais básicos, incluindo lares de idosos, orfanatos, locais de assistência a pessoas incapacitadas, cadeias e professores, pessoas com comorbilidades de risco, funcionários aeroportuários e de fronteiras, agentes das forças da ordem e de segurança pública, autoridades executivas do governo e instituições críticas para preservar a governabilidade e as ações estratégicas do governo.
Deve ser também vacinada 95% da população de idade igual ou superior a 40 anos de idade, num curto período, de forma a criar impacto na redução de casos severos (mortalidade e ocupação hospitalar).
Nesta primeira etapa, o recomendado é vacinar primeiro a população de idade igual ou superior a 65 anos (2,5% da população angolana), indica-se no documento de trabalho da Comissão Multissetorial para Prevenção e Combate à covid-19.
A vacinação será feita em duas fases, para administrar as duas doses necessárias para conferir imunidade, devendo ser utilizadas 12,8 milhões de doses de vacina fornecidas pela iniciativa Covax, liderada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que visa assegurar 6 mil milhões de doses de vacinas para os países mais pobres.
O custo total desta etapa, que visa essencialmente reduzir a morbilidade e a mortalidade e deve estar concluída no primeiro semestre de 2021, está estimado em 105,2 milhões de dólares (86,9 milhões de euros), devendo os custos operacionais e da cadeia de frio ser cobertos através do Orçamento Geral do Estado (OGE) e do Banco Mundial (BM).
Na segunda fase, o objetivo é empreender uma campanha massiva de vacinação para abranger pessoas entre os 16 e 39 anos de idade, correspondendo a 32% da população (10,4 milhões de habitantes), a fim de reduzir da transmissão da covid-19, já que esse grupo não apresenta alta taxa de mortalidade, mas tem a maior taxa de incidência da doença.
As 20,7 milhões de doses previstas nesta etapa deverão ser adquiridas através do financiamento do Banco Mundial e do Banco Europeu de Investimento.
A aquisição será feita através do mecanismo Covax/Unicef, para garantir um preço subvencionado de sete dólares por dose.
Na segunda fase prevê-se vacinar 100% dos vendedores dos mercados formais e informais, moto taxistas e motoristas de transportes públicos, bem como 95% da população dos 16 aos 39 anos.
Esta fase, a realizar no segundo semestre de 2021, tem um custo estimado de 157,7 milhões de dólares (130,2 milhões de euros), a financiar através do OGE, BM e outros parceiros.
A vacinação dos menores de 16 anos "não foi priorizada, por não ter sido recomendada pela OMS pela insuficiente evidência científica" face à segurança da vacina nesta faixa etária e por ser o grupo menos afetado pela doença.
Segundo o documento, as vacinas consideradas para serem utilizadas no plano de vacinação devem ser pré-qualificadas e autorizadas pela OMS e incluem as seguintes: Pfizer/BioNtech, Moderna e AstraZeneca (aprovadas pela Agência Europeia de Medicamentos), Sinovac/Butantan e Gamaleya (em processo de aprovação).
Em Angola, os dois primeiros casos da covid-19 foram confirmados em 21 de março de 2020, importados de um país com transmissão comunitária.
Em 26 de abril de 2020, foi confirmado o primeiro caso de transmissão local.
Até 27 de janeiro, 19.580 casos de covid-19 foram já confirmados mediante o teste RT-PCR, com 462 óbitos, o que significa uma taxa de letalidade de 2,4%, explicada em parte pela existência de comorbidades não controladas, como hipertensão, diabetes, tuberculose, VIH, drepanocitose, doenças cardiovasculares, pulmonares e renais crónicas.
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