Polícia do Brasil descobre plano de fação para atentados terroristas e rapto de autoridades

Plano foi descoberto através da interceção de algumas conversas de telemóvel entre chefes.

A Polícia Federal brasileira (PF) anunciou ter descoberto e desarticulado um plano da fação criminosa PCC, Primeiro Comando da Capital, que se originou em São Paulo mas se espalhou por todo o Brasil e diversos outros países, para desencadear atentados à bomba contra órgãos públicos e para raptar autoridades. O plano era criar um clima de pânico generalizado ainda durante a campanha para as presidenciais do próximo dia 28 de outubro, e forçar a justiça e o governo central a libertar os chefes da fação e a dar regalias aos que continuassem presos.

O plano foi descoberto através da interceção de algumas conversas de telemóvel entre chefes de fação presos, e ainda de fragmentos de bilhetes enviados por criminosos a outros líderes da organização. Agentes dos serviços prisionais e da polícia instalaram redes nos esgotos de várias prisões e conseguiram intercetar e reconstruir mensagens que os criminosos, depois de lerem, tinham rasgado e atirado para a sanita.

De acordo com a Polícia Federal, que diz ter conseguido as informações através de um intenso trabalho dos setores de inteligência da corporação e do Depen, Departamento Penitenciário Nacional, responsável pelas prisões controladas pelo governo central e que são as mais temidas pelos criminosos pelo rigor das regras, o plano começou a ser traçado em junho de 2017. Nessa altura, um dos chefes do PCC, Abel Pacheco, conhecido como "Vida Louca", esteve preso na Penitenciária de Alta Segurança de Mossoró, no estado do Rio Grande do Norte, onde também estava o famoso narcotraficante Fernandinho Beira-Mar, da fação do Rio de Janeiro Comando Vermelho, que durante anos viveu na Colômbia sob a proteção das Farc, Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.

Foi Beira-Mar quem relatou a "Vida Louca" que as Farc conseguiam obter privilégios e a libertação de presos através de atentados e rapto de autoridades, e o criminoso de São Paulo adotou a ideia. Ao ser transferido tempos depois para uma outra penitenciária federal, a de Porto Velho, no estado de Rondónia, norte do Brasil, Pacheco começou a estruturar o plano e a dividi-lo com outros dois altos líderes da fação.

O primeiro alvo dos criminosos, segundo o plano detalhado pela PF, seria explodir um carro-bomba repleto de dinamite no estacionamento da sede do Depen, em Brasília, e exigir em seguida, entre outras reivindicações e sob a ameaça de novos ataques, o regresso da autorização para os presos das cadeias de alta segurança voltarem a receber as mulheres e as namoradas para visitas íntimas, e para que as conversas deles com os advogados deixassem de ser gravadas. Se as autoridades não cedessem, seriam explodidos outros edifícios públicos, entre os quais tribunais federais e prédios do governo, e torres de energia que abastecem grandes áreas industriais e cidades importantes.

Ao mesmo tempo, na outra vertente do plano, autoridades importantes do judiciário e do governo seriam raptadas, e a fação exigiria em troca delas a libertação de chefões da organização. Ainda segundo as informações avançadas pela PF, a rotina de várias autoridades e outros altos funcionários públicos, que não tiveram os nomes divulgados, já tinha sido investigada para facilitar os raptos.

A Polícia Federal garante que desarticulou todo o plano e as possíveis células que o iriam executar. Todos os criminosos que participaram na elaboração desse terrível plano foram enviados para o chamado RDD, Regime Disciplinar Diferenciado, no qual o preso fica isolado por até um ano, sem qualquer comunicação com o mundo exterior ou com outros presos, fica sem visitas e perde o direito ao chamado banho de sol, quando os reclusos saem da cela por duas horas para apanharem sol no pátio da cadeia. 

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