Vítima, que morreu após sofrer uma forte hemorragia num hospital de Roma, poderia ter sido salva se tivesse recebido assistência.
A polícia italiana prendeu, esta terça-feira, o proprietário de uma empresa agrícola que empregava um trabalhador agrícola de 31 anos que se esvaiu em sangue depois de ter sido deixado à porta da sua cabana com um braço decepado.
A máquina de embalagem que decepou o barco de Satnam Singh tinha sido colocada propositadamente ao seu lado numa caixa de colheita de fruta em Latina, a sul de Roma, em junho passado.
O alegado responsável, Antonello Lovato, foi detido por suspeita de ter causado a morte de Singh, natural da Índia, por homicídio involuntário.
Os procuradores afirmaram num comunicado que Singh, que morreu após sofrer uma forte hemorragia num hospital de Roma, "teria muito provavelmente sido salvo se tivesse sido prontamente assistido".
"Deixando de lado as avaliações éticas, que são irrelevantes para o código penal, mas que podem ser relevantes para uma conduta tão desumana que fere os valores mais básicos da solidariedade, não podemos negar que o suspeito ignorou intencional e voluntariamente as consequências prováveis dos seus atos", afirmou Gurmukh Singh, presidente da comunidade indiana de Lazio.
"A pior coisa que Lovato fez foi deixá-lo à porta de casa em vez de o levar para o hospital. Um acidente pode acontecer, mas não chamar assistência médica é inaceitável. A horrível morte de Singh suscitou apelos para que se tomem medidas para acabar com os 'gangsters' em Itália", acrescentou.
A morte de Singh, um dos milhares de imigrantes indianos que trabalham nos campos à volta de Latina a troco de salários de escravos e em condições terríveis, assediados por 'gangsters', causou indignação em todo o país.
O líder do Movimento 5 Estrelas (M5S), da oposição, Giuseppe Conte, foi um dos que instou a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, a tomar medidas para acabar com a exploração, por vezes brutal, dos trabalhadores agrícolas, na sua maioria imigrantes.
Conte, ex-primeiro-ministro por duas vezes com administrações contrastantes, disse que esperava "palavras e posições fortes de Meloni".
"Perde-se o braço enquanto se trabalha nos campos por quatro euros à hora. Não te tratam imediatamente. Põem-nos numa carrinha e largam-nos como lixo à porta de casa. Ao teu lado, um cesto de morangos onde está o teu braço cortado. Esvai-se em sangue e morre", escreveu Conte na rede social X.
"Parece a história de um escravo de há séculos. Não podemos fechar os olhos, não podemos pensar em obter lucros enquanto anulamos a dignidade do trabalho e os últimos vestígios de humanidade. Se ignorarmos estas atrocidades, deixaremos de defender a Itália e os seus valores. Estamos prontos a fazer a nossa parte no Parlamento contra estas barbaridades, que devem ser erradicadas dos campos de toda a Itália", concluiu Conte.
Meloni admitiu, mais tarde, que Singh foi vítima de "atos desumanos".
Mas o seu cunhado e líder do partido de direita Irmãos de Itália (FdI), o ministro da Agricultura italiano, Francesco Lollobrigida, alertou para o facto de não se poderem aplicar as mesmas regras a todos os agricultores, assegurando que Singh tinha sido morto por "um criminoso".
Numa conferência de imprensa com a ministra do Trabalho italiana, Marina Calderone, após conversações com sindicatos e empregadores sobre a morte de Singh e a atividade de chefes de quadrilha, Lollobrigida afirmou, neste tipo de situações, "pode acontecer que haja uma criminalização de um dos elos da cadeia".
"Pode acontecer, portanto, que perante episódios graves como o de Latina, todas as empresas agrícolas sejam criminalizadas. Estas mortes não são culpa dos empresários agrícolas. São culpa dos criminosos", argumentou.
A exploração, muitas vezes violenta, de trabalhadores agrícolas imigrantes é um problema crónico em Itália, especialmente no sul do país.
Latina acolhe milhares de trabalhadores imigrantes, muitos deles sikhs, que trabalham na apanha de fruta e legumes para a "agro-máfia" local e para empresas legítimas.
A presidente da Câmara de Latina, Matilde Celentano, membro do FdI, afirmou que a Câmara Municipal se apresentaria como queixosa civil neste e noutros casos de 'gangs'.
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