Porta-voz do Comando Geral da PRM disse que a corporação vai exigir judicialmente provas do alegado crime.
A Polícia da República de Moçambique (PRM) rejeitou as acusações de ter matado quatro cidadãos imputadas por Samora Machel Júnior, filho do primeiro Presidente moçambicano, Samora Machel, numa carta em que condena "atos antipatrióticos" da Frelimo, partido no poder.
A PRM "lamenta, desmente e condena veementemente informações postas a circular nas redes sociais e posteriormente difundidas por alguns órgãos de comunicação social, dando conta de que a Polícia da República de Moçambique teria alvejado mortalmente quatro indivíduos no distrito de Chiúre, na província de Cabo Delgado", disse Orlando Mudumane, porta-voz desta polícia, citado pela emissora pública Rádio Moçambique.
Mudumane avançou que as autoridades têm o registo de um baleamento acidental pela polícia de um cidadão de 19 anos, no dia 12 de outubro, quando "se viu na contingência de atuar para pôr termo a um grave motim protagonizado por membros e simpatizantes de partidos políticos".
Sem mencionar o nome de Samora Machel Júnior, o porta-voz do Comando-Geral da PRM declarou que a corporação vai exigir judicialmente provas da alegada morte de quatro pessoas em Chiúre.
Na referida carta, divulgada no dia 19, o político Samora Machel Júnior, filho de Samora Machel e membro do Comité Central da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), assumiu "total desacordo" e "desdém" face aos "atos antipatrióticos" envolvendo o partido nas eleições autárquicas de 11 de outubro.
Na carta, divulgada precisamente no dia em que passaram 37 anos da morte de Samora Machel (29 de setembro de 1933 - 19 de outubro de 1986), cuja autenticidade foi confirmada pela Lusa, o político e atual presidente da Montepuez Ruby Mine, em Cabo Delgado, começa por afirmar que, em Chiúre, "por conta de diferendos eleitorais", quatro cidadãos "foram mortos pelas balas disparadas pela Polícia da República de Moçambique".
"Aqui e ali, por todo Moçambique o clamor do povo é de desacordo perante os atropelos flagrantes à integridade das escolhas feitas pelos eleitores durante o processo das eleições autárquicas do último dia 11 de outubro de 2023", lê-se.
Chiúre, em Cabo Delgado, é um dos 64 dos 65 municípios de Moçambique em que os dados de apuramento intermédio dos órgãos eleitorais -- fortemente contestados por partidos da oposição, observadores e sociedade civil -- deram a vitória às listas da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo).
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