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Polícias festejam após massacre em favela no Brasil

Elementos da Polícia Militar que participaram na operação que fez pelo menos oito mortos estiveram num bar antes e depois da matança.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 24 de Novembro de 2021 às 07:31
Polícias assistem à remoção dos corpos, encontrados um dia após à operação
Polícias assistem à remoção dos corpos, encontrados um dia após à operação FOTO: RICARDO MORAES/Reuters
Polícias que participaram na operação que no domingo deixou pelo menos oito mortos numa favela do Complexo do Salgueiro, na zona metropolitana do Rio de Janeiro, foram celebrar após a matança num bar com piscina a 500 metros de onde deixaram os corpos, que só foram encontrados na segunda-feira pelos próprios familiares das vítimas após a saída dos agentes.

Moradores relataram que homens de grupos de elite da Polícia Militar invadiram o bar, fechado pela polícia dias antes, beberam e divertiram-se da tarde até ao início da noite de domingo. Já de noite, saíram, foram para a área de mata e mangue vizinha ao bar, onde foram encontrados os corpos, e depois voltaram a divertir-se na piscina até à madrugada de segunda-feira, enquanto dois blindados protegiam o local.

A operação foi desencadeada um dia após um sargento da PM ter sido morto na região durante uma patrulha. Um grande efetivo policial ocupou a favela, trocou tiros em vários pontos com supostos suspeitos, e durante a noite atacou o grupo de alegados criminosos que se tinha escondido no mangue, matando todos. Segundo testemunhas, os corpos tinham marcas de tortura e execução à queima-roupa. A Defensoria Pública do Rio disse não ter dúvidas de que a ação policial foi uma vingança e a ONU já exigiu uma investigação independente.
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