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Político de Hong Kong diz que foi raptado e torturado por agentes da China

Howard Lam acusa chineses de quererem impedir encontro com viúva do Nobel Liu Xiaobo.

11 de agosto de 2017 às 11:36

Um membro do Partido Democrata de Hong Kong denunciou esta sexta-feira que foi raptado e torturado por agentes chineses para, aparentemente, evitar um contacto com a viúva do ativista Liu Xiaobo.

Acompanhado por deputados do Partido Democrata - o maior partido da oposição em Hong Kong - e outras figuras do campo pró-democracia, Howard Lam descreveu, em conferência de imprensa, o ataque e mostrou as pernas ainda com agrafos, informou a imprensa local.

Lam afirmou que os raptores lhe perguntaram se conhecia Liu Xia, a viúva do prémio Nobel da Paz 2010 Liu Xiaobo, e avisaram-no para desistir do plano de lhe enviar um postal autografado do jogador do Barcelona Lionel Messi, o qual tinha recebido no mês passado.

O ativista disse acreditar que o ataque foi uma retaliação contra a intenção de enviar o postal à viúva do dissidente chinês que morreu em julho, vítima de cancro. Antes, o pró-democrata tinha tido a ideia de enviar o postal a Liu Xiaobo, por saber que ele era um grande fã da estrela argentina.

Liu Xia, de 56 anos, foi colocada em prisão domiciliária no apartamento de Pequim, logo após o marido ter sido galardoado com o prémio Nobel da Paz em 2010. A distinção do Comité Nobel Norueguês aconteceu depois de Liu ter sido condenado a 11 anos de prisão por subversão por ter exigido reformas democráticas na China.

A viúva de Liu Xiaobo nunca foi alvo de qualquer condenação ou processo.

Howard Lam afirmou que foi raptado em Portland Street, no bairro de Mong Kok, na quinta-feira por quatro ou cinco homens que falavam mandarim. A língua comummente falada em Hong Kong é o cantonês.

O ativista contou que foi metido numa carrinha e que lhe deram um químico que o fez ficar inconsciente, segundo a Rádio e Televisão de Hong Kong (RTHK).

Lam disse ter recuperado os sentidos durante alguns minutos já numa sala onde alegadamente foi torturado e os atacantes o avisaram para não reportar o ataque à polícia porque "era um assunto nacional".

Lam afirmou que depois de agredido voltou a ficar inconsciente e que acordou numa praia em Sai Kung. Demasiado assustado para ligar à polícia, afirmou ter caminhado até à estrada e apanhado um táxi.

O membro do Partido Democrata comentou que o ataque era um aviso para todas as pessoas de Hong Kong.

O deputado do Partido Democrata Lam Cheuk-ting classificou o incidente como "ultrajante".

"É uma violação da Lei Básica, do princípio 'Um país, dois sistemas'. Raptar, ameaçar e torturar pessoas de Hong Kong é um crime muito grave em Hong Kong, não importa as suas identidades, se são autoridades da China ou não", disse o deputado.

"Insto o governo de Hong Kong a abrir uma investigação", acrescentou.

Howard Lam disse que planeava ir hoje ao hospital para tratamento e que iria reportar o caso à polícia.

Um porta-voz do gabinete da chefe do Executivo, Carrie Lam, disse que o Departamento de Segurança da cidade e a polícia iriam responder às questões da imprensa sobre o caso, informou o South China Morning Post.

Uma fonte da polícia, citada pelo mesmo jornal, afirmou que iam questionar a vítima e verificaram imagens das câmaras de segurança para reunir provas sobre o caso.

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